Em 2023, Andrew Kurzrok decidiu mudar sua rotina agitada como executivo, dedicando-se a passar mais tempo com sua família. Motivado por sua formação em fusões e aquisições, Andrew e sua esposa, Michelle, começaram a buscar a compra de uma empresa local. Após avaliar diversas opções, em setembro do ano passado, concretizaram a compra da Hopewell Sheet Metal Manufacturing, uma tradicional fabricante de chapas metálicas com 45 anos de atuação em Hagerstown, Maryland.
“É um exemplo clássico de uma empresa que está passando pela transição geracional”, comenta Kurzrok, que possui graduação e MBA pela Universidade de Yale. Ele destaca que a terceira geração da família não estava preparada para assumir o comando, mas o negócio se adequava aos seus objetivos pessoais.
A mudança trouxe benefícios significativos para Kurzrok, que afirma estar em casa todas as noites e se sentindo mais saudável. “Estou quase 14 quilos mais magro. Não sou mais um passageiro frequente de avião”, brinca, ao mesmo tempo em que reconhece que ser dono de uma empresa também gera seu próprio conjunto de desafios.
Com 37 anos, Kurzrok se insere em uma tendência observada por especialistas: um grande número de empresários da geração baby boomer está se aposentando, criando oportunidades para empreendedores mais jovens. No entanto, muitos negócios disponíveis no mercado não são viáveis para venda, devido à dependência excessiva de seus fundadores e à falta de uma infraestrutura robusta. O consultor Alan Pentz explica que a maioria das empresas da geração anterior não é realmente vendável, pois depende de uma só pessoa e não possui ativos que garantam sua continuidade após a saída do proprietário.
As empresas que realmente atraem novos empreendedores, segundo corretores, são menores, com receitas recorrentes e uma base de clientes sólida. Negócios ligados a serviços essenciais, como encanamento e HVAC, estão em alta entre os millennials, porque, apesar de não serem setores glamourosos, oferecem receitas confiáveis. Chelsea Mandel, fundadora da Ascension Advisory, destaca que muitos jovens buscam adquirir esses negócios tradicionais, em vez de criar algo do zero, pois preferem comprar uma empresa que funcione de forma autônoma e não apenas um emprego.
A Hopewell Manufacturing, por exemplo, fabrica dutos para sistemas de HVAC em novas construções. Kurzrok considera que, desde que assumiu a empresa, os negócios se estabilizaram e ele não planeja grandes mudanças, já que os antigos proprietários fizeram investimentos adequados em equipamentos.
Patrick O’Connell, do O’Connell Advisory Group, observa um aumento no interesse por empresas que têm contratos governamentais e que estão mais protegidas contra o avanço da inteligência artificial. Ele ressalta que essas pequenas empresas representam uma necessidade técnica que continue relevante mesmo em tempos de mudanças tecnológicas.
Com essa nova movimentação do mercado, a demanda por empresas fundadas por baby boomers está ganhando força, especialmente entre estudantes e profissionais com MBA que veem valor em adquirir negócios já estabelecidos, conhecido como empreendedorismo por aquisição. No entanto, muitos compradores se deparam com dificuldades ao descobrirem que as empresas não atendem aos requisitos necessários para uma venda bem-sucedida.
Para os baby boomers que desejam vender suas empresas, é fundamental fazer uma avaliação realista do negócio e preparar um sucessor. A preparação fiscal e contábil também é muito importante, assim como começar a organizar tudo com antecedência para tornar a empresa mais atrativa.
Por outro lado, os novos compradores devem ser cautelosos e não ter pressa. É essencial buscar oportunidades que tenham receitas previsíveis e avaliar bem cada negócio antes de qualquer decisão de compra. Andrew Kurzrok, por exemplo, recomenda que se analise uma quantidade considerável de empresas antes de fechar um acordo, sempre considerando a viabilidade do negócio sob nova gestão.
Com informações de forbes.com.br.








