O Itaú BBA revisou sua carteira de Fundos Imobiliários (FIIs) e decidiu manter os ativos atuais, evidenciando sua preferência por fundos de papel, que têm exposição ao crédito imobiliário. Apesar do ciclo de queda dos juros, os analistas continuam apostando nos FIIs de papel, considerando que a Selic pode terminar em patamares mais altos do que se previa anteriormente.
Os analistas Larissa Gatti Nappo e Fausto Menezes explicam que mesmo com a expectativa de redução da taxa de juros, a projeção de uma taxa terminal elevada, estimada em 14% ao final do ano, favorece os rendimentos dos fundos indexados ao CDI. Além disso, a projeção de inflação para 2026, fixada em 5,4%, poderá beneficiar os fundos atrelados ao IPCA, indicando que essas opções são relevantes em diferentes cenários de investimento.
Embora os fundos de tijolo apresentem bases sólidas e ciclos positivos, eles continuam sendo mais influenciados pela reprecificação das curvas de juros. Entretanto, o Itaú BBA não vê motivos para pessimismo neste segmento. Eles mencionam a possibilidade de valorização dos FIIs de tijolo, sustentada por descontos remanescentes, expectativas de redução na taxa de desconto e um ambiente operacional favorável, embora reconheçam a volatilidade elevada no contexto atual.
Apontando os principais FIIs de papel
Os fundos Kinea continuam sendo os preferidos do banco, com alocação de 10% cada para Kinea Rendimentos Imobiliários (KNCR11), Kinea Unique HY CDI (KNUQ11) e Kinea Índice de Preços (KNIP11). O Kinea Hedge Fund (KNHF11) também tem alocação de 10%, mas se classifica como um fundo multiestratégia.
Desde a implementação da carteira em abril de 2018, a rentabilidade total, que considera a variação das cotas e os dividendos pagos, alcançou 109%. Comparativamente, o IFIX registrou um retorno total de 62,3% nesse mesmo período. A carteira apresentada tem um dividend yield atual de 11,25% ao ano, que é 3,15 pontos percentuais maior do que o Tesouro IPCA+ 2035, mas ainda abaixo da média do IFIX, que está em 12,6%.
Cenário macroeconômico e os desafios
O Itaú BBA observou que o mês de junho foi influenciado por movimentos negativos dos meses anteriores, refletindo um ambiente de mercado tenso. A nova abertura das curvas de juros no Brasil pressionou os ativos, indicando uma política monetária cautelosa e um cenário de riscos mais desafiador.
No panorama internacional, uma postura mais rigorosa do Federal Reserve também contribuiu para a tensão nos mercados, especialmente sobre ativos sensíveis à taxa de desconto. Além disso, o Itaú BBA destaca o surgimento da Latin America REITs Association (LAREAL), que visa fomentar a institucionalização e a internacionalização da indústria de FIIs brasileiros, reconhecida como uma das maiores do mundo.
Com informações de forbes.com.br.








