
Como é viver em Urupema (SC), a capital nacional do frio?
Com uma população de 2,7 mil habitantes e envolta por uma natureza exuberante, Urupema, na Serra Catarinense, recebeu em 2021 o título de Capital Nacional do Frio, concedido pelo Congresso Nacional. Esse reconhecimento é respaldado pela temperatura média de 14°C e a ocorrência de até 50 geadas anuais, além de neve e uma cachoeira que chega a congelar entre os meses de maio e agosto.
Localizada a 1.425 metros acima do nível do mar, Urupema é a cidade mais alta de Santa Catarina, formando junto com Urubici, São Joaquim e Bom Jardim da Serra uma das regiões mais frias do Brasil, conforme dados da Epagri/Ciram, órgão de meteorologia estadual.
Em 2025, a cidade registrou uma impressionante temperatura de -8,16°C, com sensação térmica de -31°C. Antes do inverno deste ano, já houvera uma mínima de -5°C e até pontuais episódios de neve.
Os moradores, habituados a temperaturas baixas, vivem uma rotina com a presença constante de turistas, especialmente na alta temporada do frio. Ivanir Espíndola, de 65 anos, mora em Urupema há mais de uma década, após se mudar de Florianópolis. “Era para ser uma casinha de sítio, mas gostamos tanto que virou nossa moradia. O que me trouxe para cá foi o frio e a qualidade de vida. Aqui não há pernilongos, cupins ou formigas”, relata.
No dia a dia, os moradores se adaptam ao frio, trocando o ar-condicionado pelo fogão à lenha. Ivanir menciona que as refeições são feitas de maneira diferente: “Aqui, a comida fica em cima do fogão à lenha para estar sempre quentinha. No frio, não dá para comer salada fria”, diz, em tom bem-humorado.
Ivanir e seu marido Edson também cuidam bem de suas ovelhas, Pacha e Mama, que, para enfrentar as baixas temperaturas, usam cachecóis e toucas confeccionados pela família. “Adotamos as duas para interagir, e elas adoram. Mudamos os laços todos os dias”, conta Ivanir.
Por que Urupema é tão fria?
A localização geográfica e a altitude superior a de outras cidades vizinhas contribuem para o clima rigoroso de Urupema. A área urbana, que ocupa quase 90% do território, está em uma depressão cercada por morros, o que permite que o ar frio se acumule nas noites geladas.
Um dos pontos turísticos mais procurados é o Morro das Antenas, localizado a apenas oito quilômetros do centro. Conhecido por registrar as temperaturas mais baixas da cidade, o morro é um destino popular para aqueles que buscam a “experiência do frio total”.
Outro atrativo imperdível é a cachoeira que congela, que já permaneceu quatro dias sem descongelar em 2019. De acordo com a prefeitura, o fenômeno se deve à localização da cachoeira, praticamente escondida pela vegetação, que impede a incidência solar.
Expectativas para o futuro: impacto do El Niño
As previsões meteorológicas indicam que o fenômeno El Niño pode influenciar o clima em 2026, trazendo menos episódios de frio intenso. Segundo o meteorologista Caio Guerra, “mesmo que tenhamos algumas ondas de frio, elas não devem ser tão duradouras”.
Desafios no turismo e assistência social
Durante a temporada de frio, Urupema se transforma em um polo turístico, especialmente por sua produção de maçãs, batatas e trutas. A prefeitura reconhece o aumento no fluxo turístico, embora ainda não possua dados detalhados sobre o impacto econômico.
A cidade, que não tem pessoas em situação de rua, implementa ações de assistência social e monitoramento climático para garantir o bem-estar de seus residentes em temporadas rigorosas. Ivanir, que já tem quase todas as reservas de seu chalé fechadas, compartilha um toque especial: “À noite, coloco um chafariz em um pinheiro para congelar, criando uma decoração única para os turistas”.
Acessibilidade a Urupema
- De carro: A cidade está a 26 km de Painel e a 18 km de Rio Rufino, além de estar a 52 km de Lages.
- De ônibus: Operam linhas das empresas Nevatur, Catarinense e Reunidas.
- De avião: Os aeroportos mais próximos são Lages, Criciúma, Jaguaruna e Florianópolis.
Essas e outras características fazem de Urupema um lugar único para quem aprecia o frio e busca uma experiência diferenciada.



