Um empreendimento de luxo na Praia dos Ingleses, em Florianópolis, está gerando sérios problemas para centenas de compradores. Os relatos de prejuízos chegam a ultrapassar os R$ 200 mil, com as obras paralisadas e o alvará de construção vencido. Desde 2017, quase 800 processos judiciais foram registrados em relação ao projeto, que previa um hotel com 356 quartos, um shopping com 100 lojas e um estacionamento para 400 veículos.
Recentemente, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) começou a investigar o atraso na entrega da obra. Uma das empresas responsáveis pelo projeto alegou problemas financeiros agravados pela pandemia e questões com um fundo de investimentos.
A professora Janaína de Sousa Alves, de São Paulo, é uma das afetadas. Em 2020, ela adquiriu cinco cotas, totalizando um investimento de R$ 200 mil. “Florianópolis é um lugar muito atrativo, nunca pensamos que isso daria errado”, lamenta ela. O projeto, que combina um modelo de cooperativa com a venda de cotas de uso, parece agora um sonho distante.
Flávio Marcelino e sua esposa também foram atraídos pelo empreendimento em 2020, investindo cerca de R$ 44 mil no total. Eles pararam os pagamentos após perceberem a paralisação das obras e a falta de comunicação. “Estava tudo parado, e não encontramos mais ninguém trabalhando no local”, recorda Flávio.
Além deles, o empresário gaúcho Otávio Borba, que comprou três cotas em 2021 investindo mais de R$ 21 mil, expressou sua insatisfação, pois o contrato previa a entrega para outubro de 2022, com até 180 dias de tolerância. “Acreditamos que era um bom investimento, mas não obtivemos retorno algum”, diz.
O Tribunal de Justiça de Santa Catarina revela que a JC Compra e Venda de Imóveis, uma das responsáveis, é ré em quase 800 ações judiciais. Além disso, há vários registros de queixas em plataformas de reclamações e 11 processos no Procon de Florianópolis.
Procurado para explicar a situação, Júlio De David, sócio da empresa, afirmou que as dificuldades financeiras começaram há quatro anos. Segundo ele, a obra foi interrompida devido à falta de recursos. A empresa está em busca de novos investidores para retomar os trabalhos.
Atualmente, a JC Compra e Venda de Imóveis propõe uma reestruturação do projeto, transformando-o em uma Sociedade de Propósito Específico (SPE). O plano inclui uma assembleia com os cooperados para discutir o cronograma de pagamentos e a reinicialização das obras. A empresa garante que aqueles que investiram serão ressarcidos ou terão a opção de continuar no novo modelo de negócio.
Para dúvidas sobre ressarcimentos, a empresa sugere que os investidores entrem em contato por e-mail, onde cada caso será tratado individualmente.
Com informações de g1.globo.com.









