Recentemente, um estudo revelou que as ocorrências de crimes relacionados à produção, posse e distribuição de material de abuso sexual infantil aumentaram 25% no Brasil em 2025, conforme os dados apresentados no 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em 23 de março. Esta pesquisa, que analisou pela primeira vez esses crimes, evidenciou a dinâmica peculiar de uma violência que ocorre no ambiente digital.
Um dado alarmante que se destaca é que um terço dos autores de tais crimes é composto por adolescentes. Segundo Cauê Martins, coordenador de Infância e Juventude do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, essa situação revela uma “violência entre pares”, mostrando que, nesse contexto, tanto as vítimas quanto os agressores estão em idades semelhantes.
No total, 34,2% dos registros são atribuídos a autores adolescentes, e 86,5% desses casos envolvidos eram de meninos. Em contraste, apenas 9,1% dos casos tinham autoras femininas, enquanto 4,4% envolviam múltiplas autorias. O relatório atribui esse fenômeno à expansão do acesso a redes sociais e plataformas digitais, o que pode potencializar discursos de misoginia e sexualização precoce entre os jovens.
Em relação às vítimas, 84,2% são meninas, com uma incidência maior entre aquelas que têm entre 12 e 17 anos. A distribuição etária das vítimas é a seguinte:
- 9 a 11 anos: 13,9%
- 12 e 13 anos: 26,8%
- 14 e 15 anos: 30%
- 16 e 17 anos: 21,5%
No total, foram registrados 4.063 casos de vítimas menores de 17 anos em 2025, um aumento de 25,3% em relação a 2024. Para jovens de 18 a 19 anos, essa cifra subiu de 181 para 265, representando um crescimento de 49%.
O Anuário também aborda o aumento dos crimes cometidos no ambiente familiar contra crianças e adolescentes. Os registros de maus-tratos praticamente dobraram desde 2021, com 38.986 ocorrências em 2025, evidenciando um crescimento alarmante de 14,6% em relação ao ano anterior.
A maioria das vítimas de maus-tratos tinha entre 0 e 9 anos, refletindo uma cultura que ainda utiliza a violência física como forma de disciplina, mesmo diante dos avanços proporcionados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.
Segundo os pesquisadores, combater essa violência requer uma compreensão mais ampla das transformações sociais e uma regulação eficaz das grandes empresas de tecnologia, que ainda não possuem mecanismos robustos para prevenir tais abusos nas plataformas digitais.
Com informações de g1.globo.com.






