O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira que o acordo provisório para pôr fim à guerra com o Irã está “acabado”, após novos ataques de Teerã a bases norte-americanas na região do Golfo.
Essa intensificação das hostilidades levou a um aumento significativo nos preços do petróleo, com a cotação subindo mais de 5% nesta manhã. O preço do barril do petróleo Brent alcançou US$ 77,98, enquanto o West Texas Intermediate, que é referência para o mercado americano, subiu para US$ 74,14. Ambos os índices atingiram seus mais altos valores desde 23 de junho.
Como resposta ao agravamento da tensão, o Irã confirmou que atacou instalações militares dos EUA no Barém e no Kuwait, depois que forças norte-americanas atingiram alvos iranianos em resposta a ataques a navios-tanque no Estreito de Ormuz. Esses incidentes prejudicaram ainda mais um já vulnerável acordo de cessar-fogo, reduzindo as esperanças de que o memorando assinado em 17 de junho se tornasse um pacto de paz duradouro, em meio ao conflito que se intensificou com ataques aéreos dos EUA e de Israel desde 28 de fevereiro.
Questionado sobre o futuro do memorando em uma cúpula da Otan na Turquia, Trump respondeu: “Para mim, acho que acabou. Não quero lidar com eles.” Ele se referiu ao Irã de forma negativa, alegando que “eles são escória” e que interagir com o país é apenas uma perda de tempo.
Apesar de, em algumas ocasiões, Trump ter suavizado suas ameaças contra o Irã, as reações do mercado financeiro foram rápidas, com os preços do petróleo disparando e as bolsas de valores em queda após seus comentários mais recentes.
A retaliação entre EUA e Irã aumentou as preocupações sobre a segurança no Estreito de Ormuz, uma rota essencial para o abastecimento de petróleo. Dados mostram que pelo menos quatro navios-tanque de petróleo e gás mudaram de curso em vez de tentar atravessar a área.
A troca de acusações
A Guarda Revolucionária do Irã informou que atacou instalações militares dos EUA no Barém e no Kuwait e que derrubou um drone norte-americano MQ-9 que tentava interferir na operação. Em resposta, os EUA realizaram novos ataques e revogaram uma licença que permitia ao Irã vender petróleo, em decorrência dos ataques a três navios-tanque na região.
De acordo com o Comando Central dos EUA, mais de 60 embarcações menores ligadas à Guarda Revolucionária foram alvos em uma operação que visava penalizar o Irã pelos ataques à navegação, que violam o cessar-fogo vigente. O Comando Central afirmou que a “agressão injustificada das forças iranianas é uma violação clara e perigosa” do acordo, comprometendo a liberdade de navegação na região.
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou que os ataques dos EUA contra o Irã eram “absolutamente necessários”. Por sua vez, a chefe de política externa da União Europeia, Kaja Kallas, comentou que as trocas de ataques complicam ainda mais as negociações para encerrar a guerra, definindo os ataques iranianos como inaceitáveis.
O alto comando militar do Irã, por sua vez, condenou os ataques dos EUA, classificando-os como um “ato flagrante de agressão” e prometeu uma “resposta esmagadora”, afirmando que Teerã não permitirá interferências americanas na gestão do estreito.
Um importante negociador iraniano, o presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, acusou os EUA de violar o acordo de cessar-fogo e expressou que a “era da intimidação e da extorsão acabou”, reforçando que o Irã não cederá diante de pressões.
Com informações de forbes.com.br.









