
De acordo com informações levantadas pelo www.cnnbrasil.com.br, o Irã anunciou que está "respondendo a uma comunicação dos Estados Unidos". Nesta quinta-feira (21), a agência de notícias ISNA destacou que a recente visita do chefe do Exército paquistanês a Teerã teve como propósitos a redução de divergências e a facilitação de um possível entendimento formal.
Na noite anterior, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou: "Recebemos a posição dos EUA e estamos analisando-a". O Paquistão, que no mês passado organizou diálogos de paz entre as partes e atua como mediador da situação, continua a facilitar as conversas. O ministro do Interior do Paquistão também esteve na capital iraniana na quarta-feira (20).
Seis semanas após a implementação de um cessar-fogo instável, as negociações para encerrar o conflito têm avançado lentamente, enquanto o aumento dramático dos preços do petróleo intensifica as preocupações com a inflação e seu impacto na economia global.
Em meio a esses eventos, Donald Trump enfrenta pressão interna, especialmente com as eleições de meio de mandato se aproximando em novembro. Seu índice de aprovação tem caído para níveis preocupantes desde que reassumiu o cargo na Casa Branca, coincidentemente com a escalada nos preços dos combustíveis.
Trump alertou: "Acreditem, se não conseguirmos as respostas certas, tudo pode acabar muito rápido. Estamos todos prontos para partir", durante uma coletiva de imprensa na Base Aérea Conjunta Andrews. Indagado sobre a expectativa de tempo, o presidente respondeu que “pode ser questão de dias, mas as coisas podem se desenrolar rapidamente”.
O presidente reafirmou sua posição firme de que o Irã não deve obter armas nucleares. "Estamos nos estágios finais das negociações com o Irã. Veremos o que acontecerá. Ou chegamos a um entendimento ou precisaremos tomar medidas drásticas, mas espero que isso não se concretize", comentou, ressaltando que deseja que "poucas vidas sejam perdidas".
Petroleiros chineses em movimento no Estreito de Ormuz
O Estreito de Ormuz, uma via crucial que antes da guerra movimentava um quinto do petróleo e gás natural liquefeito mundial, está quase paralisado desde o início do conflito, representando a mais grave perturbação no suprimento global de energia na história.
Na quarta-feira (20), o Irã apresentou um mapa delineando uma "zona marítima controlada" no estreito e indicou que o tráfego na área demandaria autorização de uma nova autoridade estabelecida para tal controle. De acordo com os iranianos, o estreito poderá ser reaberto apenas para países que aceitarem suas condições.
É possível que essa reabertura implique em tarifas de acesso, uma alternativa que Washington considera inaceitável.
Recentemente, dois superpetroleiros chineses, transportando cerca de quatro milhões de barris de petróleo, atravessaram a via. Simultaneamente, um petroleiro da Coreia do Sul, com dois milhões de barris de petróleo bruto, proveniente do Kuwait, também navegou pelo estreito em coordenação com o Irã.
A agência de monitoramento de navegação Lloyd’s List relatou que, na semana passada, pelo menos 54 embarcações passaram pela região, um número consideravelmente superior ao da semana anterior.
O Irã afirmou que 26 navios cruzaram o estreito nas últimas 24 horas, embora isso represente apenas uma fração das movimentações diárias que variavam entre 125 a 140 antes do início da guerra.
Os bombardeios em conjunto pelos EUA e Israel resultaram em milhares de mortes no Irã antes da declaração do cessar-fogo. Israel, por sua vez, também levou à morte de muitos e desalojou centenas de milhares de cidadãos no Líbano, que foi invadido em uma busca pelo grupo armado Hezbollah, que conta com o apoio iraniano.
Os ataques realizados pelo Irã contra Israel e outras nações vizinhas do Golfo Pérsico resultaram na morte de dezenas de pessoas. Em uma conversa, Trump e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, expuseram que seus objetivos na guerra incluem limitar o suporte do Irã a milícias regionais, desarticular seu programa nuclear e eliminar sua capacidade de lançar mísseis, além de facilitar a derrubada do governo iraniano.
Apesar disso, o Irã preserva seus estoques de urânio enriquecido em um nível próximo ao necessário para a produção de armamentos, bem como a capacidade de ameaçar seus vizinhos com mísseis, drones, e milícias aliadas. Os líderes religiosos do país, que suprimiram uma revolta popular no início do ano, não deram sinais de estarem enfrentando qualquer tipo de oposição organizada desde o início do conflito.



