
Mercado de Grãos: Soja, Milho e Trigo com Queda na Bolsa de Chicago
Conforme reportado pelo portal www.cnnbrasil.com.br, a soja, após uma sequência de quatro dias de alta, viu suas cotações despencarem na sessão de quinta-feira (14) na Bolsa de Chicago. O contrato para julho caiu 2,97%, fechando a US$ 11,9250 por bushel. Essa desvalorização não se limitou apenas à oleaginosa, mas também afetou seus derivados.
Segundo a análise da Royal Rural, essa perda de força no mercado está ligada a uma expectativa exagerada de compras da oleaginosa por parte da China. Essa situação levou os preços a ficarem abaixo da barreira de US$ 12,00 por bushel, evidenciando as tensões e incertezas em torno das negociações comerciais.
Essa movimentação ocorre em meio a mudanças significativas na política tarifária chinesa relativa aos produtos norte-americanos. A redução da sobretaxa de 10% sobre as importações dos EUA poderá, segundo especialistas, abrir novas oportunidades para o setor privado da China, que antes estava restrito à participação estatal. Esse cenário traz à tona a competição entre Brasil e Estados Unidos para atender à demanda chinesa, que tende a acirrar ainda mais.
O analista de mercado Ronaldo Fernandes aponta que o compromisso da China em adquirir cerca de 25 milhões de toneladas de soja até 2025 dependerá mais das condições do mercado do que de garantias governamentais. No momento, a soja brasileira é vendida a aproximadamente US$ 530 por tonelada na China, enquanto o equivalente norte-americano é de cerca de US$ 560.
Esse quadro sugere que o mercado está em fase de ajuste, com uma tendência crescente de competitividade entre as origens, podendo pressionar os preços nos EUA e estabilizar os valores no Brasil.
Milho e Trigo em Queda na Bolsa
No que diz respeito ao milho, os contratos futuros para entrega em julho também fecharam em queda, com uma redução de 2,76%, resultando em um preço de US$ 4,6750 por bushel. Simultaneamente, o trigo apresentou uma queda de 2,59%, encerrando o dia a US$ 6,5800 por bushel.
De acordo com a Granar, essa tendência de baixa no mercado de grãos nos EUA é reflexo de uma liquidação de contratos por grandes fundos de investimento, em parte desencadeada pela recente viagem do ex-presidente Donald Trump à China, que não resultou em avanços significativos. Essa pressão sobre o trigo, segundo a consultoria, não advém de fatores intrínsecos do mercado agrícola, mas de um ambiente macroeconômico que influencia a desmobilização de posições.
Apesar das quedas nos preços, a situação climática continua sendo preocupante em diversas regiões produtoras nos Estados Unidos. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam um agravamento no balanço hídrico das áreas de trigo de inverno, mostrando que a porcentagem de lavouras enfrentando algum nível de seca subiu de 70% para 71%, um aumento considerável em relação aos 23% registrados no mesmo período do ano anterior.
No que tange ao trigo de primavera, a proporção de áreas afetadas pela seca também aumentou, passando de 18% para 20%, embora ainda abaixo dos 38% observados em 2025. Esse panorama reafirma a preocupação com o desenvolvimento das lavouras, mesmo diante da recente queda nas cotações.



