A decisão dos Estados Unidos de aplicar tarifas sobre produtos brasileiros pode impactar o Brasil de forma significativa, prevendo-se uma perda de até 0,6 ponto percentual do PIB em 2026, com um prejuízo estimado em R$ 76 bilhões, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
O governo brasileiro classifica que aproximadamente 18% das vendas ao mercado norte-americano serão afetadas. Entre os setores mais prejudicados estão a madeira processada, açúcar orgânico, etanol, têxteis, calçados, tabaco e papel e celulose, além de máquinas agrícolas.
Produtos com forte dependência do mercado dos EUA, como pallets e madeira serrada, constituem uma preocupação principal, assim como o açúcar orgânico, que tem uma participação relevante nas importações americanas. O setor de calçados e tabaco também deve enfrentar desafios com a perda de competitividade, enquanto fabricantes de papel e celulose já antecipam uma queda nas vendas.
Em uma coletiva realizada na tarde do dia 16, o vice-presidente Geraldo Alckmin criticou a ação do governo Trump, considerando-a injusta e baseada em alegações falsas. O governo se comprometeu a criar um programa de apoio aos setores mais afetados.
Conforme análise da Câmara Americana de Comércio (Amcham), as tarifas impactam negativamente a relação Brasil-EUA, colocando o Brasil entre os países com as condições mais restritivas para acessar o mercado norte-americano, afetando cerca de US$ 11 bilhões em exportações industriais e do agronegócio.
O governo brasileiro caracterizou a sobretaxa como compensatória, referindo-se à recente decisão da Suprema Corte dos EUA sobre tarifas impostas de maneira unilateral. Especialistas sugerem que o Brasil deve buscar negociações diplomáticas para ampliar a lista de produtos isentos das novas tarifas, potenciando acordos comerciais com outros países para diminuir a vulnerabilidade ao mercado americano.
Setores Impactados Reagem às Tarifas
Diversos setores atingidos pelas novas tarifas expressaram preocupação com o impacto sobre a competitividade dos produtos brasileiros. Veja alguns deles:
- Setor Madeireiro: Esperava-se que ficasse fora da nova lista de tarifas, mas, com uma exportação média de 50% dos produtos para os EUA, as tarifas representam um risco significativo para itens como pallets e pisos.
- Açúcar Orgânico e Etanol: O Brasil representa quase metade das importações de açúcar orgânico dos EUA, mas os setores temem o impacto da tarifa, já que as importações de açúcar brasileiro estão sujeitas a restrições.
- Indústria Têxtil e Calçados: A Abit alertou que as tarifas aumentam a insegurança no comércio e ameaçam investimentos e empregos. A Abicalçados afirmou que a medida prejudica tanto exportadores quanto consumidores norte-americanos.
- Tabaco: O setor, que exporta uma quantidade considerável para os EUA, manifestou preocupação com as tarifas, que afetam contratos e planejamento industrial. As exportações já apresentaram uma queda significativa.
- Papel e Celulose: Com uma redução drástica nas vendas externas este ano, o setor está em alerta e acompanhará as ações do governo.
- Produtos Químicos: Embora parte dos produtos químicos esteja isenta, muitos continuam sujeitos à sobretaxa. A Abiquim estima um custo adicional elevado até 2026 e solicita medidas de apoio temporárias aos exportadores.
Com informações de forbes.com.br.








