Um trabalhador faleceu após ser soterrado pelo desabamento de um muro de uma igreja em Anita Garibaldi, Santa Catarina, em 2023. Este trágico evento ocorre em um contexto em que o estado figura entre os cinco do Brasil com o maior número de acidentes de trabalho e de mortes nos últimos dez anos. Os dados são provenientes da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Entre 2016 e 2025, Santa Catarina registrou 459.716 acidentes de trabalho e 1.623 mortes, o que equivale a um trabalhador falecido a cada 2,2 dias. O estado ocupa a quinta posição em ambos os indicadores, refletindo uma tendência observada principalmente nas regiões Sul e Sudeste do Brasil.
Em nível nacional, o setor de saúde, especialmente o atendimento hospitalar, é o mais afetado, evidenciando a alta densidade de trabalhadores e a sobrecarga enfrentada pelas equipes, particularmente após a pandemia. O transporte rodoviário de carga é identificado como o segmento mais letal, somando 2.601 mortes no mesmo período, com taxas de letalidade superior à média nacional.
Ao observar as ocupações, nota-se que os técnicos de enfermagem são os que mais sofrem acidentes, enquanto motoristas de caminhão lideram o número de mortes. A gravidade da situação é corroborada pelos dados que mostram que os estados do Sul e Sudeste — como São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio de Janeiro — concentram 68% dos acidentes e 62% das mortes, o que está ligado à predominância das indústrias e do setor de serviços nessas regiões.
A construção civil se destaca como um dos setores mais perigosos, apresentando um alto número de acidentes e uma taxa elevada de fatalidades, especialmente em atividades como obras de edifícios, terraplenagem e montagem industrial.

