O volume de títulos emitidos por instituições bancárias e registrados na B3 teve um aumento expressivo de 13% em um ano, alcançando a marca de R$ 6,3 trilhões em junho. Esse levantamento considera produtos como Certificados de Depósito Bancário (CDBs), Recibos de Depósito Bancário (RDBs), Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), Letras Financeiras e Depósitos Interfinanceiros.
Esse crescimento ocorre em um cenário ainda favorável à renda fixa, com juros elevados. Apesar do início do ciclo de cortes, a Selic se mantém em 14,25% ao ano, o que continua a oferecer boas remunerações para aplicações atreladas ao CDI.
Vale ressaltar que o aumento não se resume apenas à migração de investimentos de pessoas físicas para a renda fixa. O estoque considerado neste levantamento inclui títulos que estão em circulação e também instrumentos usados entre instituições financeiras, como os DIs, além de produtos voltados para investidores institucionais, como as Letras Financeiras.
CDBs dominam o mercado com R$ 2,7 trilhões
Os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) seguem sendo o destaque nesse mercado. O estoque dos CDBs chegou a R$ 2,7 trilhões em junho, marcando um crescimento de 8% em relação ao ano anterior, representando cerca de 43% de toda a captação bancária analisada.
Para quem adquire um CDB, a ação representa um empréstimo a uma instituição financeira, em troca de uma remuneração que pode ser prefixada, atrelada ao CDI ou corrigida por um índice de inflação.
Segundo Bernardo Mello, superintendente de Produtos de Captação e Crédito da B3, “o crescimento dos produtos de captação bancária demonstra que a renda fixa continua a se consolidar no portfólio dos investidores, especialmente com as taxas de juros atuais e uma menor percepção de risco.”
Os RDBs também mostraram uma das maiores expansões do semestre, com um aumento de 24% no estoque, que saltou de R$ 393 bilhões para R$ 489 bilhões. É importante notar que, ao contrário do CDB, o RDB geralmente não pode ser negociado antes do vencimento.
LCI cresce enquanto LCA perde espaço
O estoque de Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) teve um crescimento de 20%, encerrando junho em R$ 544 bilhões, frente aos R$ 454 bilhões do ano anterior. Esses títulos são utilizados pelos bancos para financiar operações do setor imobiliário.
Por outro lado, as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) enfrentaram um recuo de 4%, totalizando R$ 563 bilhões. De acordo com a B3, essa queda reflete uma acomodação após anos de crescimento, juntamente com mudanças regulatórias e a expansão de alternativas de financiamento ao agronegócio, como CPRs e CRAs.
Em maio de 2025, o Conselho Monetário Nacional reduziu o prazo mínimo de vencimento para as LCIs e LCAs que não são corrigidas por índices de preços, passando de nove para seis meses.
Captação de longo prazo também se destaca
As Letras Financeiras alcançaram R$ 1 trilhão, apresentando um crescimento anual de 19%. Este instrumento é utilizado principalmente por investidores institucionais e permite que os bancos captem recursos por períodos mais longos.
Os Depósitos Interfinanceiros registraram o maior crescimento percentual entre os produtos apresentados, com um incremento de 26%, saltando de R$ 710 bilhões para R$ 899 bilhões. Esses DIs são operações entre instituições financeiras que visam administrar a liquidez.
Para o investidor individual, é crucial analisar a segurança de cada produto. CDBs, RDBs, LCIs e LCAs são investimentos que contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em cada conglomerado financeiro, com um limite total de R$ 1 milhão em um período de quatro anos.
As Letras Financeiras, por sua vez, não têm essa cobertura do FGC. Vale também lembrar que o fundo recomenda que os valores mantidos em diferentes empresas de um mesmo conglomerado sejam somados para o cálculo do limite de garantia.
Com informações de forbes.com.br.







