
De acordo com informações levantadas pelo g1.globo.com, a confiança do consumidor no Brasil apresentou uma queda significativa em abril, refletindo um panorama de pessimismo generalizado. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), que marcava 52,2 pontos em março, caiu para 49,2 em abril, uma diminuição de 3 pontos que rompeu a linha de neutralidade e representou o nível mais baixo registrado nos últimos 11 meses.
O estudo realizado pela Ipsos revela uma redução em todos os aspectos que compõem o índice, evidenciando uma deterioração nas percepções sobre a situação financeira pessoal, mercado de trabalho, consumo e as expectativas futuras. Esta tendência negativa foi classificada pela Ipsos como uma verdadeira “fadiga do otimismo”.
O pessimismo se manifesta especialmente entre os jovens da Geração Z e os Baby Boomers, que demonstram as percepções mais negativas em relação ao futuro econômico do Brasil. Rafael Lindemeyer, líder do cluster de experiência da Ipsos, observou que a retração brasileira também é parte de um cenário global, onde muitos países, como os Estados Unidos e o Reino Unido, têm visto quedas em seus índices de confiança (2,2 e 2,1 pontos, respectivamente). Na Europa, a Alemanha também experienciou uma queda de 1,8 ponto, enquanto na América Latina, Argentina e Chile apresentaram diminuições acentuadas, com o Chile registrando uma perda de 7,5 pontos. Lindemeyer atribui esse pessimismo a impactos econômicos provocados pela recente Guerra no Irã.
Além disso, o chamado “termômetro do presente”, que avalia a percepção sobre a economia atual, caiu de 44,1 para 39,4 pontos de março para abril. Outros indicadores também refletem essa tendência de baixa: o índice relacionado a investimentos e consumo diminuiu de 50 para 45,4 pontos, o indicador de emprego caiu para 50,3, e o índice de expectativas futuras desceu de 65,8 para 63,6 pontos.
Conforme a pesquisa, apenas 32% dos brasileiros acreditam que o país segue na direção correta, uma queda em comparação a 41% registrados em dezembro de 2025. A percepção geral sobre a situação econômica do Brasil permaneceu praticamente inalterada, com 31,5% dos entrevistados considerando o cenário bom, embora essa taxa tenha mostrado um declínio em relação ao início do ano, quando atingiu 42,7%.
O levantamento também destaca a percepção regional: apenas 31% dos brasileiros avaliam a economia de sua região como forte. Além disso, pela primeira vez no ano, menos da metade da população — 48,2% — acredita que a condição econômica local melhorará nos próximos seis meses.
“A análise do cenário de abril mostra uma deterioração abrangente. O componente de Expectativas, que até então sustentava um certo otimismo, agora sofreu uma correção significativa. Isso sugere que os consumidores deixaram de esperar uma melhora automática no curto prazo, possivelmente pautados pela continuidade de juros altos e pela revisão crescente em relação às projeções de inflação de produtos essenciais, como alimentos e energia”, afirma Lindemeyer.
Por fim, a análise da Ipsos indicou que os extremos geracionais, especialmente a Geração Z e os Baby Boomers, foram os grupos mais impactados pela queda nas expectativas econômicas. A percepção sobre a condição financeira pessoal também se deteriorou: somente 27,9% dos entrevistados consideram sua situação financeira atual como boa, enquanto 68,2% acreditam que estarão em uma situação melhor nos próximos seis meses.



