
De acordo com informações levantadas pelo www.cnnbrasil.com.br, o impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã em relação ao conflito no Oriente Médio pode ser atribuído a uma crença central dos iranianos: eles se consideram vitoriosos. Essa análise foi feita por Sandro Teixeira Moita, professor de Ciências Militares da Eceme (Escola de Comando e Estado-Maior do Exército), que expôs sua visão na última edição do programa WW.
Durante sua participação, Moita destacou que tanto analistas iranianos quanto canais de comunicação vinculados à Guarda Revolucionária sustentam esta perspectiva. "Os iranianos acreditam que venceram o conflito, o que os leva a minimizar a urgência das negociações com os Estados Unidos", explica o professor.
Ele observa que, enquanto o bloqueio econômico imposto pelos EUA continuar, o Irã pode durar entre seis meses a um ano sob pressão. Essa tática de prolongamento nas negociações, no entanto, vem gerando uma crescente impaciência do lado americano.
O professor argumenta que, embora Trump tenha a impressão de ter debilitado o Irã, a realidade é mais complexa. "Por um lado, o regime iraniano foi, de fato, materialmente enfraquecido. Mas, de outro, essa situação lhe proporcionou um fortalecimento ideológico, pois sobreviveu ao grande confronto que sempre esperou, que é a luta contra os Estados Unidos", comentou Moita. Essa dualidade, segundo ele, oferece ao regime iraniano o que ele chama de "munição ideológica" em tempos críticos.
Irã e sua Soberania sobre o Estreito de Ormuz
Além dos desafios diplomáticos, Moita alerta sobre uma nova fonte de tensão que surgiu recentemente. Oficiais e meios associados à Guarda Revolucionária do Irã têm afirmado sua reivindicação de soberania sobre o leito submarino do Estreito de Ormuz. Esta via marítima é crucial, pois por ela transitam cabos de internet que atendem países como Iraque, Kuwait, Catar, Bahrein, parte dos Emirados Árabes e até mesmo alguns que conectam à Arábia Saudita. Moita sugere que o Irã pode até considerar a cobrança de taxas pela navegação nessa região.
Segundo o professor, a situação se assemelha a um "fogo lento", em que as tensões estão se intensificando mesmo sem serem imediatamente visíveis. Os confrontos recentes teriam provado essa escalada. "Neste momento, não se pode descartar a possibilidade de novos embates esta semana, já que Trump se mostra cada vez mais impaciente e a Guarda Revolucionária vê na intensificação das hostilidades uma chance de infligir uma humilhação ainda maior aos Estados Unidos", finaliza Moita.
Essa complexa dinâmica entre as nações, somada às novas reivindicações territoriais, assegura que o panorama do Oriente Médio continue instável e a negociação diplomática um desafio imenso.



