O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, afirmou em um painel em Sintra, Portugal, que o banco central dos Estados Unidos irá insistir na meta de inflação de 2%. Segundo ele, aqueles que esperam por uma política monetária mais relaxada irão “ficar decepcionados”.
Warsh sublinhou que não haverá espaço para tolerar uma inflação superior a 2%, mesmo com pedidos do presidente Donald Trump por cortes nas taxas de juros. “Se alguém acredita que este banco central se acomodará com uma inflação acima desse patamar, estará errado”, destacou.
Questionado sobre a possibilidade de frustrar Trump, que o nomeou ao cargo e espera uma redução nos custos de empréstimos, Warsh reafirmou a independência do Fed. “Sempre fomos um banco central independente e continuaremos assim”, disse.
Sua declaração veio logo após a Suprema Corte dos EUA decidir que Trump não pode demitir a diretora do Fed, Lisa Cook. Warsh que, mesmo com essa decisão, a atuação do banco central não deve mudar.
A participação de Warsh no evento foi sua segunda desde que assumiu a presidência do Fed em maio. Ele se juntou a outros líderes de bancos centrais em uma postura de cautela quanto à“orientação futura”, mostrando relutância em oferecer previsões sobre a política monetária.
Warsh afirmou que as decisões sobre a taxa de juros serão discutidas internamente durante a próxima reunião do Fed, programada para os dias 28 e 29 de julho. Ele deixou claro que não comentaria sobre as expectativas do mercado ou sobre os fatores que influenciam essas discussões.
A fala de Warsh impactou as expectativas do mercado, que diminuiu ligeiramente a probabilidade de um aumento de juros próximo, embora ainda estimem 70% de chance de um ajuste na reunião prevista para 15 e 16 de setembro.
O economista Oren Klachkin, da Nationwide, comentou que as probabilidades de um Fed mais liberal com a taxa de juros sob a liderança de Warsh estão diminuindo e que um aumento dos juros não deve ocorrer rapidamente.
No centro de debates com outros banqueiros centrais, Warsh enfatizou a importância de um diálogo fechado e produtivo, afirmando que “não pretende fornecer orientações futuras” e incentivando o mercado a formar juízos com base na realidade econômica.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de a inteligência artificial impactar a inflação, ele frisou que a responsabilidade do banco central é evitar esse tipo de efeito indesejado.
Warsh compartilhou o painel com a presidente do BCE, Christine Lagarde, e os presidentes do Banco da Inglaterra e do Banco do Canadá. Cada um abordou a questão da inflação elevada e as implicações do atual cenário geopolítico. Apesar de um ambiente desafiador, ele acredita que o Fed está se movendo em direção a uma abordagem mais centrada nos princípios fundamentais da economia.
O presidente do Fed revelou que a sua “aspiração” é utilizar dados em tempo real para definir a política monetária, reduzindo a dependência de informações retroativas em até um ano.
Com informações de forbes.com.br.








