Certamente muitos já ouviram falar do livro “Alice no País das Maravilhas”, escrito por Lewis Carroll. A história retrata uma menina que tenta compreender o caos ao seu redor utilizando a lógica, oferecendo momentos de diversão e reflexão.
Um trecho famoso envolve o Chapeleiro perguntando a Alice: “Por que um corvo se parece com uma escrivaninha?”. Quando ela admite que não entendeu a charada, ele revela: “Não tenho a menor ideia”. Carroll, em resposta à curiosidade dos leitores, acabou por criar um trocadilho, mas o foco aqui é discutir o absurdo da situação com um olhar crítico sobre a política.
Diferente do que questionou uma pesquisa recente, o ministro Alexandre de Moraes não proibiu que um filho visitasse o pai. Ele apenas vetou que um candidato, utilizando a função de advogado, pudesse desrespeitar medidas cautelares ao visitar um custodiado, como ocorreu com o caso de um vídeo criado a partir de uma carta.
A utilização de inteligência artificial para produzir um vídeo com imagens e som que refletem a visão do ex-presidente está gerando polêmica. Advogados, incluindo aqueles que defendem Bolsonaro, reconhecem que essa situação pode constituir mais uma violação das condições de sua prisão domiciliar, a qual foi imposta por razões humanitárias.
A defesa do ex-presidente reafirma que ele não estava ciente da utilização desse expediente por Flávio, seu filho, ressaltando que impedir esse contato pode ser uma forma de proteger o custodiado de manipulações. Embora possa parecer desconfortável, isso levanta questões sobre a justiça e as regras em torno do contato entre os dois.
A defesa de Bolsonaro, se tivesse plena confiança em que nada de irregular ocorreu, defenderia essa ideia de maneira firme. A noção de que o preso tinha conhecimento do que estava acontecendo poderia abrir espaço para uma percepção de desrespeito à judicialidade.
Com a defesa alegando que o ex-presidente não autorizou a utilização de sua imagem e voz no vídeo feito por inteligência artificial — dado que ele tem o direito de visitas suspenso, e Flávio está impedido de visitá-lo —, surge uma questão gramatical que poderia ter sido melhor abordada. O uso correto do “nem sequer” e o entendimento de que “sequer” sozinho pode gerar confusão são reflexões pertinentes.
Alice, por seu lado, parece estar em meio a um diálogo com personagens descompromissados com lógica e raciocínio, refletindo um mundo que pode parecer trivialmente absurdo.
Em condições normais, seria razoável pensar que a defesa de Bolsonaro não alegaria que Flávio, como candidato, poderia enganar o pai novamente. No entanto, a resposta questionável sugere que isso pode ser, de fato, afirmado, revelando a desconexão entre lógica e proselitismo.
Caso a defesa aceite que tudo ocorreu sem a anuência de Bolsonaro, isso significaria admitir que o conteúdo é, efetivamente, uma criação digital falsa.
A decisão agora cabe ao ministro Moraes, que terá de avaliar as argumentações apresentadas. É notório que a saúde do ex-presidente é uma preocupação, e as intenções de uma parcela de sua oposição são questionáveis. Portanto, a proteção da sociedade deve ser ponderada em meio a esse dilema.
O Tribunal Superior Eleitoral terá que deliberar sobre a situação, onde Bolsonaro, através do vídeo, alegará ter sido feito de vítima ao ser enganado.
Com informações de metropoles.com.









