O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, ordenou o bloqueio de bens do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, até o montante de R$ 119,2 milhões. Essa determinação foi publicada no dia 6 de julho e baseou-se em um pedido da Polícia Federal.
A investigação levanta suspeitas de que Valdemar, atualmente sem mandato, estaria controlando a alocação de emendas parlamentares na Câmara dos Deputados, com auxílio de três servidores da Casa. A apuração se apoia em diálogos encontrados no celular de uma servidora da Câmara, onde ele é visto decidindo valores e selecionando municípios para as emendas.
Um dos trechos das mensagens mostra um assessor informando: “Marquei com o Valdemar amanhã 10:30”. Em seguida, pergunta se ele pode direcionar R$ 24 milhões para o setor de turismo. Esse valor refere-se a emendas parlamentares, conforme indicado pela PF.
Trata-se de uma questão legal, uma vez que apenas parlamentares têm a prerrogativa de indicar emendas. Valdemar, sendo um ex-deputado, não possui essa autorização. Além do bloqueio, o ministro determinou a suspensão imediata de todos os pagamentos relacionados às emendas sob investigação, que somam R$ 119.216.703,15, sendo esta a quantia que a PF acredita ter sido desviada.
A investigação é um desdobramento da Operação Transparência, iniciada em dezembro de 2025, quando o celular da servidora Mariângela Fialek foi apreendido. Nas mensagens, ela é chamada de “Tuca” e troca informações com Nara Benedetti Nicolau Brum e Garigham Amarante Pinto. As conversas revelam que Nara colaborava na análise de emendas, facilitando a documentação necessária para as indicações, que eram frequentemente referidas como “do Valdemar”.
Em uma troca específica, Nara menciona que “as do Valdemar já estamos terminando de cadastrar”. Já Garigham atuava como contato direto com Valdemar, enviando mensagens para confirmar detalhes sobre valores e municípios.
Nas interações, Valdemar é descrito como tendo grande influência nas decisões, mesmo não sendo um parlamentar ativo. A investigação revela que, para registrar as emendas na forma legal, deputados federais eram utilizados como “solicitantes”.
A PF cruzou as informações das mensagens com dados do Portal da Transparência, identificando pelo menos 21 emendas que totalizavam R$ 119 milhões, com a maior parte dos recursos direcionados a municípios do estado de São Paulo.
Na análise, o ministro Dino observou a “ascendência surpreendente” que Valdemar mantinha sobre os servidores, em contraposição à sua falta de autoridade legal para dispor do orçamento público. A principal suspeita é de peculato-desvio, que pode levar à pena de 2 a 12 anos de prisão, e também se investiga a formação de uma associação criminosa. A Procuradoria Geral da República manifestou-se contra algumas medidas cautelares, mas apoiou a continuação das investigações.
Além disso, foi solicitado que a Câmara dos Deputados forneça todos os documentos pertinentes às emendas dentro de dez dias. A investigação ainda está em andamento, e a eventual participação de deputados federais será apurada no futuro.
Com informações de g1.globo.com.








