A Polícia Federal (PF) aponta Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, como uma figura-chave em um esquema de manipulação de emendas parlamentares ligado ao ex-deputado Valdemar Costa Neto, atual presidente do PL. A investigação culminou no bloqueio de R$ 119,2 milhões atribuídos a ele.
No relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a servidora da Câmara dos Deputados é descrita como a “personagem principal” de um “arranjo funcional informal”, que permitiu a indicação de emendas em nome de Costa Neto, que não possui mandato parlamentar e, portanto, não poderia destinar recursos do orçamento.
A PF revela que Tuca era responsável por centralizar e organizar as indicações de emendas, seguindo orientações atribuídas ao ex-deputado. Dados do celular de Mariângela foram fundamentais na investigação, mostrando um “arranjo decisório paralelo”, que indica falta de transparência na alocação das verbas.
Mensagens obtidas do celular de Tuca confirmam a ligação dela com Valdemar Costa Neto. Entre essas, há troca de informações sobre destinações de emendas, como um projeto de R$ 24 milhões para a área do Turismo. A investigação destaca que a servidora alterava listas de solicitações para que deputados em exercício aparecessem como responsáveis pelas emendas, ocultando a participação do ex-deputado.
Além das mensagens, planilhas encontradas no celular e no local de trabalho de Mariângela identificavam recursos ligados a Valdemar. Conversas revelam tentativas de direcionamento de verbas e situações onde ela lidava com dificuldades para atender a alterações, evidenciando a influência do ex-deputado mesmo sem mandato.
Mariângela Fialek atuou como assessora do deputado federal Arthur Lira (PP-AL) entre 2021 e 2025 e, em dezembro de 2025, ocupava um cargo na liderança do Progressistas, recebendo uma remuneração bruta de R$ 23,7 mil. Ela é alvo da Operação Transparência, que investiga irregularidades na destinação de emendas parlamentares.
Com base nas evidências apresentadas pela PF, o STF determinou o bloqueio dos R$ 119,2 milhões e suspendeu o pagamento das 21 emendas sob investigação. Mariângela e outros servidores estão sendo investigados por crimes de peculato e associação criminosa.
Valdemar negou fazer indicações de emendas, afirmando que a responsabilidade em alguns casos é do líder do partido na Câmara. O advogado Garigham Amarante, mencionado na investigação, afirmou não ter comentários a fazer sobre o caso.
Com informações de g1.globo.com.






