
Dependência de uma única cultura representa um risco significativo para a agricultura familiar, comprometendo a renda dos produtores. Mudanças no mercado, como oscilações de preços, condições climáticas adversas ou outras imprevistos, podem impactar duramente a colheita. Para mitigar esses riscos, instituições como a Epagri têm promovido a diversificação das culturas.
Santa Catarina já se destaca na produção diversificada, estando entre os principais estados do Brasil em várias categorias: carne suína (29,3% do total nacional), cebola (31,8%), maçã (46,6%) e frutos do mar cultivados (91,6%), conforme dados do IBGE. Apesar dessa diversidade regional, o desafio é integrá-la nas propriedades rurais, onde a Epagri/Cepa relata que a multiplicidade nas atividades produtivas resulta em menor oscilação na renda anual. A intenção não é descartar culturas existentes, mas sim diversificar as fontes de receita.
### Ovinocultura como Aposta Estratégica
Santa Catarina abriga cerca de 348 mil ovinos, distribuídos entre 15 mil produtores, segundo a Epagri/Cepa. Embora os números sejam modestos, representam um potencial de crescimento considerável. A ovinocultura pode ser realizada nas janelas entre as safras de grãos, particularmente nas regiões do Planalto e do Oeste, o que tem atraído interesse nesta atividade.
Para fomentar essa cultura, o Governo do Estado lançou o Projeto de Desenvolvimento da Ovinocultura, que conta com investimentos de R$ 6 milhões, dos quais R$ 1,5 milhão são provenientes da Secretaria da Agricultura, R$ 1,5 milhão do Sebrae e R$ 3 milhões da Faesc/Senar por meio da ATeG. O projeto visa três aspectos principais: melhoria genética do rebanho, adoção de boas práticas de produção e acesso ao mercado. Contudo, a falta de instalações com inspeção federal ou estadual limita o mercado, em especial para a venda em supermercados. Para superar essa barreira, o projeto inclui a criação de unidades de abate em regiões estratégicas, uma condição essencial para transformar a ovinocultura de uma atividade secundária para uma cadeia produtiva sólida.
### Avanços na Produção de Café
Outro foco promissor para diversificação nas propriedades rurais é a produção de café. A iniciativa, liderada pela Epagri, deu origem ao Projeto Café+SC, que foi aprovado pela Fapesc. Esta pesquisa se baseia em práticas tradicionais de agricultores do Leste catarinense, que cultivam o grão sob a sombra da Mata Atlântica, resultando em um café especial com alto valor econômico.
Estudos realizados em colaboração com o Instituto Federal Catarinense (IFC) e o Instituto Federal do Sul de Minas sugeriram que o café arábica da variedade Mundo Novo é viável em Araquari, conhecida como a capital das bananas. O cultivo à sombra das bananeiras promove um café de qualidade superior.
O trabalho da Epagri também revelou que várias áreas em Santa Catarina possuem condições climáticas favoráveis para o cultivo de cafés arábicas especiais. Com base nesses achados, foi submetido um projeto à Fapesc para ampliar as pesquisas sobre cafés especiais no estado. Atualmente, a Epagri está conduzindo experimentos para avaliar o desenvolvimento das plantas e a produção, com medições realizadas em propriedades das principais regiões produtoras, incluindo o Litoral Sul, Grande Florianópolis, Litoral Norte, Vale do Itajaí e Vale do Rio Uruguai.
A fruticultura também tem se mostrado uma área de crescimento em Santa Catarina, com um aumento de 30% no financiamento para frutas via Pronaf na safra 2024/2025, conforme informou o Ministério do Desenvolvimento Agrário. A produção de pêra, em particular, destacou o estado, que se posicionou como vice-líder nacional em 2024, detendo 31,2% da produção brasileira.



