De acordo com informações levantadas pelo g1.globo.com, o pastor Silas Malafaia e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passaram a ser investigados pelo Ministério Público Eleitoral em virtude de um culto de Santa Ceia que ocorreu no último domingo (3) na Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC), localizada no Rio de Janeiro. Durante a cerimônia, Malafaia interrompeu a liturgia para manifestar seu apoio à candidatura de Bolsonaro à presidência em 2026, um gesto que gerou controvérsias.
O pastor convocou Flávio Bolsonaro e outros líderes, incluindo o ex-governador Cláudio Castro (PL) e o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL), para que subissem ao altar. Durante essa interação, ele conduziu uma oração coletiva mencionando diretamente os políticos, declarando que “chegou o tempo” de apoiar o filho de Jair Bolsonaro, utilizando trechos bíblicos como justificativa para seu posicionamento. "A Bíblia diz que há um tempo para todo propósito debaixo do sol. Esse é o tempo de eu apoiar o Flávio para presidente", declarou Malafaia, sinalizando uma reconciliação após uma época de tensões entre ele e o senador.
A ação gerou uma resposta imediata da Associação Movimento Brasil Laico, que protocolou uma denúncia à Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro. A entidade alega que a celebração foi utilizada para fazer propaganda eleitoral precoce, desvirtuando sua função espiritual ao converter o culto em um verdadeiro palanque político. De acordo com o documento, a infraestrutura da igreja, que conta com 149 templos em todo o Brasil, foi explorada para favorecer os pré-candidatos presentes.
A queixa tem como alvos, além de Malafaia, a instituição religiosa ADVEC e cinco pré-candidatos que participaram do culto:
- Flávio Bolsonaro (PL): pré-candidato à presidência da República.
- Douglas Ruas (PL): pré-candidato ao Governo do Rio de Janeiro.
- Sóstenes Cavalcante (PL): pré-candidato à reeleição na Câmara dos Deputados.
- Cláudio Castro (PL): pré-candidato ao Senado.
- Marcelo Crivella (Republicanos): pré-candidato a deputado federal.
No documento apresentado, a associação solicita que medidas urgentes sejam tomadas, incluindo a preservação dos vídeos do evento e a imposição de multas que podem alcançar R$ 25.000,00 para cada um dos participantes. Além disso, a representação pede a inabilitação de Silas Malafaia e Flávio Bolsonaro por oito anos e a revogação de possíveis candidaturas ou diplomas.
Adicionalmente, a associação requer que a Receita Federal conduza uma investigação acerca de um possível desvio de finalidade da ADVEC, o que poderia comprometer sua imunidade tributária.
No decorrer do evento, Malafaia também fez críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao ministro Alexandre de Moraes, chamando o inquérito das fake news de "imoral" e se colocando como vítima de uma suposta perseguição política. Flávio Bolsonaro aproveitou a ocasião para reassertar sua ligação com a comunidade evangélica.
Fonte: g1.globo.com

