
De acordo com informações levantadas pelo www.cnnbrasil.com.br…
Elon Musk ocupou o banco das testemunhas por três dias em um tribunal, acusando a OpenAI e seus diretores de tê-lo persuadido a fazer doações que ajudaram a estabelecer uma das maiores companhias de inteligência artificial do planeta. O litígio envolve Musk e seus ex-parceiros, o CEO da OpenAI, Sam Altman, e o presidente Greg Brockman, que, segundo Musk, lucraram indevidamente ao desviarem a OpenAI de sua missão original, que era ser uma organização sem fins lucrativos, para se tornarem uma empresa com fins lucrativos. Além disso, Musk incluiu a Microsoft como co-ré no processo, alegando que a companhia colaborou para a violação da confiança que a OpenAI inspirou.
O julgamento foi marcado por tensões, com Musk frequentemente confrontando o advogado da OpenAI, acusando-o de tentativas de "enganar" sua testemunha. O juiz também interveio, instruindo as partes a manterem o foco nas perguntas e evitando discussões sobre se a IA poderia levar à extinção da humanidade.
A OpenAI e a Microsoft contra-argumentam que Musk havia apoiado a ideia de criar uma ala lucrativa da empresa e que suas ações legais são motivadas pela frustração em não conseguir o controle total da organização, agora que se tornaram rivais.
Escândalo em torno dos Planos de IA de Musk
William Savitt, advogado da OpenAI, insinuou que Musk se afastou do conselho em fevereiro de 2018 porque não conseguiu dominá-lo, enquanto Musk defendeu que sua saída se deu para se dedicar a outras empresas, como SpaceX e Tesla. Após essa saída, Savitt acusou Musk de adotar medidas que prejudicaram a OpenAI, especialmente ao fundar sua própria empresa rival, a xAI.
Durante o interrogatório, Savitt questionou Musk sobre a divulgações de sua nova empresa de IA ao assinar uma carta aberta em 2023, onde pedia a suspensão de novos desenvolvimentos de IA mais avançados do que o GPT-4 da OpenAI. Musk afirmou que não há erro em possuir uma organização lucrativa, "desde que não se roube uma instituição de caridade".
Savitt questionou por que Musk não estabeleceu uma nova organização sem fins lucrativos após sua saída da OpenAI, ao que Musk respondeu que já havia criado uma. "Por que eu criaria outra organização sem fins lucrativos se já fundei uma? Não faz sentido nenhum", concluiu Musk.
Debate sobre os Riscos da IA
As discussões no tribunal não se limitaram à fundação da OpenAI, mas também tocaram nos riscos de segurança que a IA pode representar. Antes do início do interrogatório na quinta-feira, o advogado de Musk, Steven Molo, insinuou que a IA poderia resultar na destruição da humanidade. A juíza Yvonne Gonzales Rogers rejeitou tais declarações alarmistas na presença do júri, especialmente levando em consideração que Musk fundou sua própria empresa de IA com fins lucrativos.
Ela explicou que o julgamento não está centrado em determinar se a IA é prejudicial ou não para a humanidade.
Musk e a Criação de uma Empresa Lucrativa
O núcleo do processo gira em torno da alegação de que a OpenAI e seus executivos teriam transformado a empresa em uma entidade lucrativa, traindo sua missão original e enganando Musk. Ele foi um dos cofundadores, tendo contribuído com US$ 38 milhões, mas após 2018, suspendeu seus investimentos até 2020.
Musk afirmou: "Eu lhes dei financiamento gratuito para criar uma startup", pensando estar contribuindo para uma organização destinada ao "bem da humanidade". No entanto, documentos apresentados em tribunal mostram que já em 2015, antes mesmo da OpenAI ser oficialmente anunciada, Musk havia sugerido a criação de uma entidade lucrativa. Em 2017, ele instruiu seus consultores a registrar uma empresa com fins lucrativos em nome da OpenAI, segundo o advogado Savitt, que apresentou registros e notas de reuniões.
Musk declarou que não se opunha a uma subsidiária lucrativa, desde que não "ultrapassasse" a organização sem fins lucrativos.
Musk e as ‘Letras Miúdas’
Na quarta-feira, Savitt apresentou a Musk e-mails de 2018 nos quais Altman tentava mantê-lo informado sobre os planos da OpenAI para assegurar financiamentos adicionais. Musk, em muitos casos, não respondeu às mensagens. Um desses e-mails continha uma proposta que estabelecia a intenção da OpenAI de levantar US$ 10 bilhões, mas Musk argumentou que "não leu as letras miúdas”.
Savitt, lembrando que era um documento de quatro páginas, fez questão de reiterar a clareza do conteúdo. Musk ainda alegou que sua confiança nos líderes da OpenAI vinha diminuindo, mencionando uma conversa em 2022, onde expressou que a avaliação de US$ 20 bilhões da OpenAI após o investimento da Microsoft parecia suspeita.
A Influência do Google DeepMind
Musk também expressou que seu desejo de impulsionar a IA como um contrapeso ao Google foi um fator motivador por trás de seu apoio financeiro à OpenAI. Relatórios demonstram que o laboratório DeepMind, do Google, já vinha realizando pesquisas significativas por anos.
Em um e-mail enviado em 2016, Musk se preocupava que a OpenAI não estivesse se movendo rápido o suficiente para competir com a DeepMind, afirmando que a escolha de transformar a OpenAI em uma organização sem fins lucrativos talvez tivesse sido um erro. Ele enfatizou a necessidade de existir uma "oposição" ao Google, sugerindo a criação de uma organização sem fins lucrativos de código aberto em contraste com uma entidade lucrativa e de código fechado.
Tensões Durante o Interrogatório
Durante dois dias de interrogatório, as tensões entre Musk e o advogado da OpenAI, Savitt, foram palpáveis. Savitt pediu que Musk limitasse suas respostas a "sim" ou "não", mas certas perguntas levaram Musk a pedir que Savitt não o interrompesse.
Ele acusou Savitt de elaborar perguntas para induzi-lo ao erro, fazendo uma analogia infeliz que foi rapidamente reprimida pelo juiz, que decidiu que essa linha de raciocínio não seria abordada no tribunal. Após uma das sessões, a juíza Gonzales Rogers reconheceu que Musk tinha sido "difícil" em alguns momentos.
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