O sonho de participar de um empreendimento luxuoso em frente ao mar da Praia dos Ingleses, em Florianópolis, virou um verdadeiro pesadelo para centenas de investidores. O projeto, que previa um complexo com hotel e shopping, está enfrentando sérias complicações legais devido à paralisação das obras e à multiplicação de ações judiciais.
Desde que foi aprovado em 2017, o projeto tem colecionado atrasos e atualmente conta com um alvará de construção vencido. O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) decidiu investigar a situação, após um expressivo número de denúncias sobre a inadimplência das entregas.
A proposta inicial combinava cooperativas com a venda de cotas, permitindo que proprietários dos terrenos e cooperados investissem no empreendimento. No entanto, a JC Compra e Venda de Imóveis, responsável pela obra, alega que questões financeiras agravadas pela pandemia afetaram o progresso. A empresa tenta agora negociar com novos investidores para a retomada do projeto.
Os prejuízos são significativos. Muitos compradores, como Flávio Marcelino e sua esposa, que inicialmente investiram R$ 44 mil, já enfrentam dificuldades para até mesmo recuperar parte do que pagaram. O casal havia quitado aproximadamente R$ 10 mil antes de notarem que a obra estava parada e que haviam perdido o contato com a empresa.
Histórias semelhantes se espalham entre os investidores. A professora Janaína de Sousa Alves, moradora de São Paulo,65, revelou que perdeu quase R$ 200 mil ao comprar cinco cotas. Outros, como o empresário gaúcho Otávio Borba, também relatam que o investimento não teve o retorno prometido.
Com quase 800 ações judiciais em trâmite, a situação gerou descontentamento e uma onda de reclamações nas redes sociais e plataformas de defesa do consumidor. Há pelo menos 11 registros de queixas no Procon de Florianópolis relacionados ao projeto.
Procurado para falar sobre as suspensões e os planos futuros, Júlio De David, sócio da JC Compra e Venda de Imóveis, explicou que a falta de recursos levou à paralisia das obras. De acordo com ele, a empresa já negocia ajustes que podem transformar a estrutura atual em uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) e promete ressarcir os investidores prejudicados.
Um encontro com os cooperados deve ocorrer em breve para determinar os próximos passos e as estratégias de compensação. A orientação para aqueles que buscam restituição ou esclarecimentos é que entrem em contato diretamente pela empresa.
Com informações de g1.globo.com.









