De acordo com informações levantadas pelo g1.globo.com, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, tem adotado um chapéu em suas aparições públicas por orientação médica. O acessório foi visto durante o lançamento do programa “Desenrola 2.0”, realizado na segunda-feira (3), e também no pronunciamento transmitido em escala nacional por ocasião do Dia do Trabalhador, que ocorreu na última sexta-feira (1º).
O modelo em questão é um chapéu Panamá, fabricado pela marca Sarquis by ABA. Essa orientação para o uso do chapéu resultou da remoção de uma lesão cancerosa no couro cabeludo, procedimento que aconteceu no dia 24 de abril. Segundo o cardiologista do presidente, Roberto Kalil Filho, a proteção da área afetada é necessária, e o tempo estimado até a total cicatrização é de cerca de um mês.
A dermatologista Cristina Abdala, responsável pela retirada da lesão, esclareceu que se tratava de um carcinoma basocelular, o tipo mais comum de câncer de pele, frequentemente associado à exposição solar prolongada. Ela detalhou que a lesão é localizada e não tem propensão a se espalhar, podendo eventualmente gerar pequenas feridas. Lula vinha monitorando a situação há um certo período e decidiu pela remoção. “Isso não indica um prognóstico negativo, apenas requer acompanhamento”, complementou a médica.
Este não é o primeiro episódio em que Lula faz uso de chapéus durante seus compromissos públicos. Em outubro de 2024, após um incidente que resultou em uma queda no Palácio do Planalto, ele já havia adotado o chapéu Panamá. Em dezembro do mesmo ano, após uma segunda cirurgia decorrente do mesmo acidente, o presidente foi novamente visto usando esse ícone de moda.
O chapéu Panamá, embora tenha um nome associado ao país central-americano, teve suas origens no Equador, onde povos indígenas criavam a peça a partir de fibras da palha toquilla. A designação “Panamá” se consolidou devido aos trabalhadores que participaram da construção do Canal do Panamá, projeto que iniciou sob o comando francês em 1881 e foi completado em 1914 com o auxílio americano. A popularidade do chapéu expandiu-se globalmente à medida que esses trabalhadores retornavam à Europa. Em 1906, durante uma visita às obras do canal, o presidente americano Theodore Roosevelt foi clicado usando o “Panama hat”.
Estrelas de Hollywood, como Humphrey Bogart no filme “Casablanca” durante os anos 40, também contribuíram para a difusão do chapéu. A professora Jo Souza, doutora em semiótica e especialista em Negócios da Moda na Universidade Belas Artes de São Paulo, explica que o chapéu Panama é sinônimo de um “luxo descontraído”. A docente argumenta que sua popularidade se deve à leveza da fibra, que a torna ideal para climas tropicais, além de seu toque de sofisticação. Em relação ao uso do acessório pelo presidente Lula, ela observa que ele pode servir como símbolo de uma moda que ressalta a identidade latino-americana, funcionando como um emblema não oficial que conecta o popular ao estilo.

