De acordo com informações levantadas pelo g1.globo.com, a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington, foi confirmada para a próxima quinta-feira, 7 de maio. Esta será a segunda vez que Lula está na capital americana durante seu atual mandato, mas a primeira em caráter oficial com Trump.
Esse encontro ocorre em um contexto onde rumores sobre uma possível distensão nas relações entre os dois líderes estão circulando. Ambos já mencionaram, anteriormente, ter estabelecido uma “boa química” a partir de encontros realizados no ano passado.
Embora o governo brasileiro não tenha revelado quais assuntos serão oficialmente abordados durante a reunião, fontes ouvidas pela BBC News Brasil indicam que três pontos principais estão na agenda da equipe econômica do país. Entre eles se destacam: investigações pelos EUA sobre o sistema de pagamento Pix, a busca pelo fim das tarifas ainda existentes relacionadas ao chamado “tarifaço” que incide sobre as exportações brasileiras e discussões sobre investimentos em minerais críticos.
Essa pauta foi elaborada ao longo de meses por representantes de pelo menos quatro ministérios, incluindo Fazenda, Justiça e Segurança Pública, Relações Exteriores e Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Contudo, a confirmação dos temas a serem discutidos fica condicionada ao clima que a Casa Branca estabelecer para a reunião, com uma definição final sendo esperada pouco antes da partida do presidente Lula.
### Questões em torno do Pix
A situação do Pix é um dos tópicos que têm chamado a atenção do governo brasileiro em suas interações com os EUA. Desde julho do ano passado, durante uma crise gerada pelo tarifaço anterior, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) iniciou uma investigação sobre práticas comerciais do Brasil, incluindo o Pix na avaliação. A alegação americana gira em torno da consideração de que o sistema de pagamentos do Brasil interfere na atuação de empresas norte-americanas no setor.
Em resposta, o governo brasileiro negou, em agosto de 2025, qualquer discriminação em relação a empresas dos EUA, ressaltando que até empresas como o Google estão utilizando o Pix. No entanto, o assunto voltou a ser mencionado em um relatório recente do USTR, onde são listadas barreiras comerciais de mais de 60 países contra os EUA. O relatório detalha que o Pix, mantido pelo Banco Central do Brasil, é visto como uma plataforma que poderia oferecer vantagens que prejudicariam fornecedores de serviços de pagamento eletrônico dos Estados Unidos.
### A guerra tarifária
Em relação ao “tarifaço”, que resultou em tarifas adicionais para várias exportações brasileiras, a equipe econômica brasileira busca aproveitar a visita a Washington para negociar a redução ou eliminação de tarifas remanescentes. Estima-se que 29% das exportações do Brasil aos EUA estejam sujeitas a essas tarifas. Essas taxas foram inicialmente justificadas como uma resposta a decisões judiciais que envolviam o ex-presidente Jair Bolsonaro, e a relação entre os dois países passou por tensões, mas começou a melhorar após encontros entre Lula e Trump.
### Minerais críticos na agenda bilateral
Os minerais críticos, como lítio e cobalto, que são essenciais para tecnologias de energia limpa e eletrônica, também estarão na pauta. Os EUA buscam acesso facilitado a jazidas, enquanto o Brasil defende maior controle governamental e beneficiamento local. Apesar da resistência do Brasil em firmar acordos que favoreçam exportação crua de minerais, o governo brasileiro está atento às propostas dos EUA, que visam expandir a colaboração em mineração.
Os Estados Unidos também têm investido na aquisição de minas de terras raras, incluindo uma mina brasileira, reforçando sua estratégia para diminuir a dependência da China nesse setor. O presidente Lula tem enfatizado a importância de manter o valor agregado dos minerais, evitando exportações apenas de matéria-prima.
Essas questões complexas serão centrais na narrativa da visita de Lula a Washington e na análise do fortalecimento ou distensão das relações entre Brasil e EUA.

