
Kepler Weber Enfrenta Desafios no Primeiro Trimestre de 2026, Mas Busca Diversificação Comercial
De acordo com informações levantadas pelo www.cnnbrasil.com.br, a Kepler Weber viu sua performance financeira afetada pela redução da demanda entre os produtores rurais no início de 2026. O cenário se configura em meio a taxas de juros elevadas, um ambiente de crédito mais restritivo e menores margens no agronegócio. A empresa reportou um lucro líquido de R$ 17,1 milhões no primeiro trimestre, refletindo uma queda significativa de 61,3% em comparação ao mesmo período do ano anterior, enquanto a receita líquida caiu 10,9%, totalizando R$ 318,1 milhões.
O indicador de margem Ebitda registrou um declínio acentuado, passando de 17,7% para 10,6%, o que demonstra a menor diluição de custos em um período marcado pela desaceleração no setor de fazendas, que continua a ser o principal mercado da empresa.
O presidente da Kepler, Bernardo Nogueira, comentou à CNN que, apesar das dificuldades do primeiro trimestre, espera que o restante do ano seja um pouco melhor, embora mais desafiador que 2025. Ele comparou o cenário atual ao que foi enfrentado pelo setor em 2016, quando as altas taxas de juros impactaram a rentabilidade das empresas do agronegócio.
Nogueira enfatizou a necessidade de observar 2026 em paralelo com 2016, ressaltando que, enquanto naquele ano as taxas de juros atingiram 13% e resultaram em um Ebitda negativo, neste momento a empresa está encarando um Ebitda positivo, que, segundo ele, pode ser voltado para dois dígitos.
A divisão de Fazendas, tradicionalmente a mais lucrativa da Kepler, representou aproximadamente 33% do faturamento no trimestre, mas assistiu a uma retração devido ao agravamento das condições financeiras dos produtores. O executivo pontuou que o aumento dos custos dos insumos, em particular fertilizantes, aliado à desvalorização das commodities, tem reduzido o interesse em novos investimentos.
“Percebemos um produtor mais cauteloso, enfrentando juros altos e margens mais apertadas”, destacou Nogueira. Na divulgação de seus resultados, a empresa apontou que um ambiente de crédito mais exigente prolongou o tempo de decisão dos clientes, pressionando sobretudo os investimentos nas propriedades rurais.
Para mitigar a desaceleração do mercado interno, a Kepler aumentou sua presença em negócios internacionais e no setor de agroindústrias. A divisão internacional teve um crescimento impressionante de 47,1% no trimestre, estabelecendo o melhor primeiro trimestre da história da empresa em termos de receita líquida e volume comercializado, principalmente impulsionada por operações na Argentina e Venezuela.
“Estamos continuando com as operações na Argentina e na Venezuela. Isso trouxe margens mais apertadas, mas foi crucial para a diversificação das nossas receitas”, disse Nogueira.
Além disso, a vertente das Agroindústrias também apresentou um desempenho positivo, creciendo 4,2% em receita, sustentado por iniciativas relacionadas à cadeia de biocombustíveis, processamento de grãos e produção de farinha de trigo. “Nosso foco para o restante do ano será nas agroindústrias. Identificamos demanda crescente por biocombustíveis e projetos relacionados a moinhos de trigo”, destacou Nogueira.
Conforme apontado, o crescimento nestas áreas ajudou a atenuar os impactos negativos da retração no segmento de fazendas, reforçando a estratégia de diversificação geográfica e de portfólio da empresa.
Apesar da pressão operacional, ao final de março, a Kepler Weber conseguiu manter uma posição de caixa líquida positiva de R$ 56,6 milhões, um aumento considerável em relação aos R$ 1,3 milhão registrados no encerramento de 2025. A empresa também notou que a inadimplência ficou em torno de 1%, bem abaixo da média estimada para o agronegócio brasileiro, que varia entre 7% e 8%.
“Estamos gerando caixa e vemos um futuro promissor para a empresa”, reafirmou Nogueira. “A Kepler tem uma história centenária. Continuaremos firme, pois a empresa é realmente extraordinária e excelente.”



