
Dez governadores têm como objetivo a reeleição nas eleições de outubro deste ano e, para isso, já implementam estratégias nas redes sociais. Os políticos buscam o espaço digital para evidenciar realizações de governo, discutir segurança pública e engajar eleitores através de memes.
A pedido do g1, especialistas em marketing político e estrategistas de imagem pública analisaram os perfis no Instagram dos governadores de diversos estados, incluindo Sergipe, Pernambuco, Santa Catarina, São Paulo, Amapá, Piauí, Ceará, Mato Grosso do Sul, Bahia e Paraíba. Entre eles estão Fábio Mitidieri (PSD-SE), Clécio Luís (União Brasil-AP), Rafael Fonteles (PT-PI), Elmano de Freitas (PT-CE), Jorginho Mello (PL-SC), Lucas Ribeiro (PP-PB), Eduardo Riedel (PP-MS), Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Raquel Lyra (PSD-PE) e Jerônimo Rodrigues (PT-BA).
André Régis, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), destaca que a amostra permite perceber padrões importantes na comunicação digital dos governadores. Cada especialista avaliou de um a cinco políticos, categorizando os perfis nas redes sociais como “ideológicos”, “institucionais” ou “populares”; além de analizar a imagem construída — se são vistos como gestores “eficientes”, “humanos” ou “amigos”; os discursos na segurança pública e as mensagens transmitidas visualmente.
Cada especialista notou que metade dos pré-candidatos adota um perfil mais “popular”. Kleber Carrilho, professor na Universidade de São Paulo (USP), ressalta que a performance digital é crucial para criar identificação com os eleitores; a falta de congruência entre a persona nas redes e a real personalidade política pode comprometer essa conexão. Por exemplo, Raquel Lyra, com 1,7 milhão de seguidores, projeta uma imagem de governadora “humana”, enquanto Jerônimo Rodrigues, com 869 mil, é visto como “amigo”.
No campo da segurança pública, quatro dos dez governadores adotam um discurso “linha dura”. Elmano de Freitas (PT), Jorginho Mello (PL), Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Clécio Luís (União) utilizam uma abordagem punitivista em suas comunicações. Conforme pesquisa do Datafolha, 19% dos entrevistados evidenciam a segurança como principal preocupação, quase empatada com a saúde, que leva 21%.
Os demais pré-candidatos utilizam discursos mais moderados ou técnicos em segurança. Rafael Fonteles (PT), Fábio Mitidieri (PSD), Eduardo Riedel (PP) e Raquel Lyra (PSD) tendem a pautar suas comunicações de forma menos confrontativa, focando em ações estruturais e preventivas.
Profundamente, a imagem dos candidatos é construída por meio de suas escolhas de vestuário e uso de símbolos. Governadores como Mitidieri e Riedel optam por vestimentas que transmitem elementos conservadores, enquanto Clécio Luís mantém um estilo de homem comum e trabalhador. A comunicação visual de Lucas Ribeiro e Jerônimo Rodrigues prioriza a simplicidade, reforçando a acessibilidade e identificação com o público.
Por sua vez, Rafael Fonteles, ainda em sua juventude política, utiliza o terno para transmitir maturidade. Da mesma forma, Tarcísio de Freitas e Raquel Lyra ajustam suas aparências para comunicar seriedade e eficiência, incorporando elementos regionais em suas vestimentas para reforçar a conexão com seus estados.
As análises dos especialistas foram enviadas às assessorias dos governadores analisados, mas não houve retorno.



