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EUA ameaçam Brasil com perdas de US$ 14,9 bilhões em exportações

A audiência pública nos Estados Unidos discute a imposição de tarifas adicionais sobre exportações brasileiras, que podem resultar em perdas de até US$ 14,9 bilhões. Caso sancionadas até 15 de julho, as tarifas afetarão mais de 4 mil produtos e aprofundarão as tensões comerciais entre os países.

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Reprodução/Forbes Money | Forbes Brasil

Em Jaraguá do Sul, a discussão sobre as tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos em relação ao Brasil continua em destaque. Hoje (07), ocorre o segundo e último dia de uma audiência pública nos EUA, que aborda alíquotas de 25% e 12,5% sobre questões que envolvem o sistema financeiro do Pix, acordos comerciais, etanol, desmatamento, corrupção e trabalho forçado.

O prazo para um acordo finaliza em 15 de julho, quando o presidente dos EUA poderá decidir sobre a implementação dessas novas tarifas.

Se aprovadas, as tarifas podem resultar em perdas de até US$ 14,9 bilhões nas exportações brasileiras, conforme aponta a Confederação Nacional do Comércio (CNI). Com a adoção das novas alíquotas, haverá um aumento de 27,5 pontos percentuais sobre certos produtos, com 62% deles sendo intermediários, levando a uma taxação total que pode chegar a 37,5%.

Para se contrabalançar essa situação, empresários e representantes do Brasil têm se manifestado em 14 painéis nos dois dias de audiência. O senador e pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro, destaca-se ao pedir a suspensão das tarifas e sugerir soluções construtivas para os problemas levantados nas investigações.

Nos últimos anos, o relacionamento entre Brasil e Estados Unidos tem sido marcado por crises e desentendimentos, refletindo um histórico deficitário para o Brasil. As tarifas e deportações, além da crescente distância em questões ambientais, somam-se a um clima de tensões ainda maior.

De acordo com o professor Claudio Felisoni, da FIA Business, os problemas que afetam essa relação são principalmente de natureza política e têm consequências diretas na economia. “A crise é fruto de divergências em relação ao Pix, decisões judiciais e questões ambientais, além da pressão internacional sobre vários países para combater o trabalho forçado. As tensões diplomáticas afetaram a competitividade comercial do Brasil”, analisa Felisoni.

Os impactos dessa nova investida

Cerca de 4 mil produtos poderão ser impactados pela nova tarifa, resultando em uma perda de até US$ 14,9 bilhões nas exportações, conforme a CNI. Dados da confederação mostram que diversos produtos intermediários têm o Brasil como principal fornecedor para os EUA, com uma dependência que chega a quase 100% em alguns casos, como no compensado de pinus:

  • Compensado de pinus: 99,6%
  • Ferro-gusa não ligado: 73,3%
  • Álcool etílico não desnaturado: 72,3%
  • Tabaco curado por fumaça ou processado: 72,0%
  • Molduras de madeira padrão de pinho: 59,4%
  • Estacas, paliças, postes e trilhos de madeira: 57,8%
  • Açúcar de cana em forma sólida, bruto: 52,9%
  • Granito monumental ou de construção: 48,9%
  • Hidróxido de alumínio: 47,5%
  • Sebo não comestível: 37,5%
  • Peptonas e seus derivados: 33,1%

Essas mudanças podem gerar um efeito dominó, começando nas indústrias exportadoras e afetando diretamente o consumidor final. Mais de 25% das novas exportações estão em risco, impactando setores essenciais como máquinas pesadas, transformadores elétricos, madeira, granito trabalhado e etanol, o que pode prejudicar principalmente pequenas e médias empresas fornecedoras.

Como consequência imediata, o mercado financeiro poderá sofrer com a fuga de capital estrangeiro, aumentando o risco-país e resultando em um forte choque cambial com a alta do dólar.

Gabriel Cecco, especialista da Valor Investimentos, comenta que a relação entre Brasil e EUA está em um momento de grande incerteza, o que pesa sobre os ativos brasileiros e aumenta a percepção de risco. Ele observa que, neste contexto, investidores se preocupam mais com a possibilidade de escalada de tensões, retaliações, perda de acesso ao mercado e instabilidades no ambiente de negócios.

Além disso, Cecco destaca que a política tem contaminado as negociações comerciais. “Quando isso ocorre, as discussões se tornam menos técnicas e mais incertas, dificultando o planejamento para as empresas e aumentando o prêmio de risco para investidores. O ideal seria buscar uma solução negociada, como a redução das tarifas ou um adiamento das imposições”, sugere.

Felisoni concorda com essa análise e enfatiza que muitas das questões em jogo têm raízes políticas. “O governo brasileiro está fazendo o que deve: utilizando o diálogo diplomático para tentar resolver esses desentendimentos. No entanto, as dificuldades são maiores, pois envolvem elementos que vão além da economia, refletindo a polarização do atual cenário mundial”, explica.

Esse cenário de tarifas elevadas pode resultar em uma retração estrutural na economia brasileira, com previsões de queda entre 0,5 e 0,6 ponto percentual no PIB para 2026, totalizando uma perda estimada de R$ 76 bilhões.

Com informações de forbes.com.br.

TAGS: Segurança

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Advogado, autor, professor e palestrante focado na transformação digital da sociedade. Especializado em Direito Civil e atuante no Direito Digital e Empresarial.

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