Os primeiros 18 meses do segundo mandato do presidente Donald Trump na Casa Branca foram marcados por várias mudanças econômicas, muitas delas induzidas por decisões políticas. Entre os principais fatores, destacam-se a repressão à imigração, o aumento das tarifas comerciais e uma inesperada tensão com o Irã, que elevou os preços do petróleo e ameaçou cadeias globais de abastecimento.
Apesar de a economia dos Estados Unidos ter se mostrado mais resistente do que muitos esperavam frente a essas crises, a promessa de Trump de reduzir os preços, aumentar os empregos na indústria e melhorar a vida da classe média ainda não se concretizou, especialmente com as eleições parlamentares de meio de mandato se aproximando.
A economia, embora resiliente, também apresentou sinais de estagnação em áreas onde Trump acreditava que suas políticas de deportação em massa de imigrantes e aumento das tarifas teriam um impacto positivo. A intensificação das tensões no Oriente Médio trouxe riscos adicionais.
Emprego
A pesquisa domiciliar do Bureau de Estatísticas do Trabalho (BLS) fornece a medida mais abrangente sobre o emprego. Mudanças nas estatísticas populacionais desde 2026 significam que os dados do BLS não são diretamente comparáveis ano a ano. Em janeiro, observou-se uma queda acentuada no número de pessoas empregadas e em busca de trabalho, em grande parte por causa de novos controles.
Esses dados indicam uma redução tanto na força de trabalho quanto no número de empregados desde o retorno de Trump à presidência, reflexo das políticas de limitação à imigração e aumento nas deportações. Junto ao envelhecimento da população, há uma menor disponibilidade de trabalhadores.
Quem está contratando
Trump prometeu um renascimento do setor industrial, mas a realidade mostra que, embora tenha havido um aumento no investimento em inteligência artificial, o impacto real na produção e nos empregos ainda é incerto. O setor de construção, por sua vez, veio crescendo, impulsionado por investimentos em IA, mas os dados mostram que a indústria conta atualmente com menos trabalhadores em comparação ao final do governo anterior.
A diminuição no número de funcionários públicos também é um reflexo das priorizações de Trump. No entanto, reestruturar uma economia de 342 milhões de pessoas é um desafio considerável, especialmente em uma sociedade que valoriza restaurantes e serviços, bem como enfrenta o desafio do envelhecimento populacional.
Preços
A inflação continua sendo um tema central na campanha de 2024, ainda que as pressões nos preços tenham suavizado com o aumento das taxas de juros pelo Federal Reserve. Entretanto, a promessa de Trump de baixar os preços nunca se mostrou realista, já que historicamente os preços caem apenas em crises econômicas severas.
A inflação permanece acima da meta de 2% do Fed, com economistas alertando para os riscos de novas altas nos preços. Os aumentos das tarifas de importação, o valor do petróleo nas alturas e a crescente demanda decorrente da evolução da inteligência artificial estão contribuindo para essa pressão inflacionária. Expectativas de variações de preços são comuns, mas quando ocorrem aumentos generalizados em diferentes bens, a inflação se torna mais abrangente.
Renda
A distribuição de renda continua a ser um tópico debate, especialmente a questão da desigualdade onde os mais ricos prosperam, enquanto as famílias de renda baixa e média enfrentam desafios. Apesar disso, os gastos dos consumidores têm se mantido estáveis, embora o poder de compra das famílias tenha estagnado ou diminuído recentemente.
A renda pessoal disponível, que é o que sobrou após o pagamento de impostos e abrange salários e outros benefícios, é fundamental para as despesas com moradia e alimentação.
Acessibilidade
As promessas de Trump quanto à melhoria da acessibilidade à moradia têm enfrentado críticas, especialmente após ele descrever como “sem importância” uma legislação que pretendia abordar essa questão. O setor habitacional é complicado, e restrições nos critérios de crédito contribuíram para crises passadas.
A pandemia fez os preços das casas dispararem, e com o aumento das taxas de juros para frear a inflação, a dificuldade em adquirir imóveis aumentou. As taxas de hipoteca e os prêmios de seguro residencial permanecem elevados, tornando a compra de casa própria cada vez mais difícil para muitas famílias.
Mercado de ações
Trump sempre se preocupou com o desempenho do mercado de ações, apresentando os índices em alta como prova do sucesso de suas políticas. Contudo, as ações tendem a aumentar com o tempo, independentemente de quem esteja no poder. Comparando o desempenho do mercado desde janeiro de 2025, observou-se uma valorização de 25% no S&P 500, o que está acima da média histórica.
Boom dos títulos de IA
O setor de inteligência artificial tem sido um motor importante para o crescimento econômico, impulsionando a emissão de títulos corporativos a níveis recordes. O total de emissão até junho atingiu US$1,52 trilhão, refletindo uma economia robusta e empresas sólidas.
Com informações de forbes.com.br.









