A dívida bruta do governo geral subiu para 81,1% do Produto Interno Bruto (PIB), em comparação a 80,2% em abril, ultrapassando as projeções do mercado, que esperavam 80,7%. A dívida líquida também registrou alta, passando de 67,2% para 67,9% do PIB.
Os dados divulgados nesta terça-feira pelo Banco Central mostram que o crescimento do endividamento é impulsionado, principalmente, pelos altos custos de financiamento da dívida pública. Em maio, os juros foram os maiores responsáveis pela pressão sobre esse indicador. Além disso, as emissões líquidas de títulos públicos e a desvalorização do real em relação ao dólar também contribuíram. Apesar do crescimento do PIB nominal, que ajudou a minimizar alguns efeitos, a dívida aumentou 0,9 ponto percentual, totalizando R$ 10,6 trilhões.
Desde o início do ano, a dívida bruta acumula um aumento de 2,4 pontos percentuais do PIB. O Banco Central aponta que os juros nominais foram responsáveis por 4,2 pontos desse crescimento, enquanto o avanço da economia e a valorização da moeda ajudaram a contê-lo parcialmente.
Esse patamar de dívida é acompanhado por um piora das contas públicas em maio, quando o setor público consolidado registrou um déficit primário de R$ 56,1 bilhões, acima da projeção de R$ 53,5 bilhões, e maior que o déficit de R$ 33,7 bilhões reportado no mesmo mês de 2025. O déficits são mais elevados no governo federal, que respondeu por R$ 55,2 bilhões, enquanto estados e municípios somaram R$ 1,2 bilhão de déficit. As empresas estatais, no entanto, apresentaram superávit de R$ 273 milhões. No acumulado dos últimos 12 meses, o déficit primário atingiu R$ 149 bilhões, equivalendo a 1,14% do PIB.
É importante ressaltar que esse indicador mede o resultado das receitas e despesas, desconsiderando o pagamento dos juros da dívida. É precisamente essa conta que exerce a maior pressão nas contas públicas atualmente.
No mês de maio, os juros nominais totalizaram R$ 107,5 bilhões, um aumento em relação aos R$ 92,1 bilhões do mesmo período do ano anterior. O Banco Central explica que esse aumento está ligado ao crescimento do estoque da dívida, resultando em encargos financeiros maiores para o setor público. Nos últimos 12 meses, os gastos com juros chegaram a R$ 1,11 trilhão, representando 8,48% do PIB.
Ao incluir o pagamento de juros no resultado fiscal, o déficit se torna ainda mais significativo. O déficit nominal, que considera o resultado primário e as despesas financeiras, foi de R$ 163,7 bilhões em maio. No total dos últimos 12 meses, alcançou R$ 1,26 trilhão, ou 9,62% do PIB.
Esses dados destacam um dos principais desafios da política econômica no Brasil. Apesar de a melhora no resultado primário ser relevante, isso não é o suficiente para estabilizar a trajetória da dívida. Enquanto os juros continuarem altos, o custo de financiar esse passivo pressionará as contas públicas e dificultará a redução do endividamento.
Com informações de forbes.com.br.







