A cidade espanhola Ceuta se tornou foco de uma crise migratória, com mais de 60 mil marroquinos entrando na região em menos de 24 horas. Apesar de estarem em território europeu, esses migrantes não deixaram a África, já que Ceuta, embora pertença à Espanha, está situada geograficamente no norte do continente africano.
Junto com Melilla, Ceuta é um enclave espanhol que faz fronteira com o Marrocos, herança do período de dominação europeia na África. A cidade foi conquistada por Portugal em 1415 e, durante a União Ibérica, ficou sob controle espanhol, continuando assim após a separação das coroas de Portugal e Espanha.
Desde a independência de Marrocos, em 1956, o país reivindica Ceuta e Melilla como parte de seu território. Atualmente, ambas as cidades são autônomas da Espanha, com representação no parlamento em Madri, e seus cidadãos possuem passaporte europeu, desfrutando de livre circulação na União Europeia através do Espaço Schengen.
A crise em Ceuta despertou preocupações em toda a Europa. Recentemente, a Itália suspendeu o acordo de livre circulação com a Espanha, e a primeira-ministra dinamarquesa sugeriu que a União Europeia deveria considerar a suspensão da Espanha da área de Schengen, alertando que a imigração descontrolada pode representar uma ameaça para o continente.
Situada a apenas 14 km do Estreito de Gibraltar, Ceuta vive um momento delicado. As autoridades espanholas atribuíram o aumento na imigração a uma recente decisão do Supremo Tribunal da Espanha, que estabeleceu que pessoas interceptadas no mar tentando entrar nas cidades não podem ser devolvidas de maneira sumária.
O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, declarou que a maioria das pessoas que entrou em Ceuta retornou voluntariamente ao Marrocos, afirmando que é impossível chegar à Península Ibérica sem passar por um controle de fronteira. O Comissário da União Europeia para Assuntos Internos e Migração, Magnus Brunner, também garantiu que não houve registro de transferência de imigrantes para o continente europeu.
Com informações de metropoles.com.






