
Perspectivas desfavoráveis para o milho na Europa devido ao aumento de custos
De acordo com informações levantadas pelo www.cnnbrasil.com.br, a área cultivada com milho na Europa deve enfrentar uma nova redução neste ano. Isso se deve a um aumento significativo nos custos de fertilizantes e energia, que está desestimulando muitos agricultores a plantar suas safras nesta primavera, conforme indicam os analistas do setor.
Analistas da Expana e da Argus Media preveem que a área dedicada ao cultivo de milho na União Europeia poderá cair abaixo de 8 milhões de hectares até 2026, uma marca inédita neste século. O agravamento dos custos de insumos, impulsionado pela guerra no Oriente Médio, está se somando a fatores já problemáticos para os produtores, como margens de lucro reduzidas e riscos de rendimento afetados por condições climáticas extremas.
Maxence Devillers, representante da Argus, ressalta: "Existem muitos riscos associados ao cultivo de milho, incluindo a questão dos fertilizantes, a seca e os altos custos de secagem." Isso ocorre porque o milho é uma das culturas que mais demandam fertilizantes. Em regiões da Europa Ocidental, o grão geralmente passa por um processo de secagem após a colheita, o que consequentemente gera altos custos de energia.
Além disso, a escalada dos custos de produção é esperada, considerando que o conflito no Oriente Médio provocou um aumento abrupto nos preços dos fertilizantes e da energia. Na França, projeta-se uma diminuição na área de milho em grão de 10% a 15% em relação ao ano anterior, o que equivale a cerca de 200.000 hectares, segundo a estimativa do grupo de produtores AGPM.
Os especialistas destacam que, além do milho, as culturas de oleaginosas, como a semente de girassol, estão apresentando margens de lucro mais atrativas, o que acaba pressionando ainda mais os agricultores de milho frente à inflação de custos.
Apesar dos desafios, um episódio de seca em áreas da França propiciou um avanço no plantio, com 56% da área destinada ao milho em grão já semeada até a última segunda-feira, superando a média das últimas cinco temporadas, conforme informações do escritório agrícola FranceAgriMer. Contudo, os analistas afirmam que o retorno das chuvas em maio será crucial para o desenvolvimento inicial das plantações.
Na Polônia, a área destinada ao milho em grão deve registrar uma leve queda, passando de 1,3 milhão de hectares no ano passado para aproximadamente 1,25 milhão de hectares neste ano, conforme indicou Wojtek Sabaranski, analista da Sparks Polska. Ele observa que "o recente e acelerado aumento nos preços dos fertilizantes pode impactar o plantio de milho, porém, a falta de alternativas viáveis deve limitar esse efeito, especialmente devido à recente valorização do preço do milho."
Em contraposição, na Alemanha, a área cultivada com milho poderá aumentar este ano, impulsionada pelas compras antecipadas de fertilizantes que estão ajudando a mitigar os efeitos da guerra. A associação de cooperativas agrícolas local projeta um crescimento de 3,5% nas semeaduras de milho, prevendo alcançar 507.000 hectares.
Um analista alemão observa que "a maioria dos agricultores já havia adquirido fertilizantes antes do conflito, então para a safra atual, eles não serão muito afetados pelos aumentos de preços, exceto se necessitarem de quantidades adicionais."
Esse panorama indica um cenário de grande incerteza para a cultura do milho na Europa, onde os agricultores se deparam com escolhas difíceis em um ambiente de custos crescentes e margens de lucro limitadas.



