O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) apresentou um crescimento de 0,1% em maio em comparação a abril, ajustado sazonalmente. Embora o número indique uma desaceleração em relação a meses anteriores, mostra um desempenho desigual entre os setores da economia. A indústria teve um avanço de 0,4% e os serviços cresceram 0,1%, enquanto a agropecuária registrou uma queda de 1,0%, impactando a expansão do indicador.
Ao retirar a agropecuária, que é sujeita a variações climáticas e ao calendário das colheitas, o IBC-Br sobe 0,2%, o que indica que a economia relacionada ao mercado interno teve um desempenho mais favorável.
Mesmo com a desaceleração observada em maio, o indicador sugere que a atividade econômica continua crescendo no segundo trimestre. No total dos três meses que terminaram em maio, o IBC-Br subiu 0,7% em relação ao trimestre que se encerrou em fevereiro, mantendo uma trajetória positiva, embora menos intensa do que no começo do ano.
A composição do índice revela uma mudança na origem desse crescimento. Após contribuir significativamente para a expansão da atividade em trimestres anteriores, a agropecuária passou a afetar negativamente os resultados, refletindo a normalização do ciclo agrícola após colheitas recordes. Em contrapartida, a indústria assumiu o papel de principal suporte da atividade, enquanto os serviços continuam em crescimento, mesmo que em um ritmo moderado.
Indústria concentra o impulso da atividade
A análise setorial do IBC-Br mostra que a expansão econômica em maio foi em grande parte sustentada pela indústria. Este setor avançou 0,4% no mês e acumulou um crescimento de 1,3% no trimestre encerrado em maio, destacando-se entre os principais segmentos da economia.
O chamado carregamento estatístico fortalece essa tendência. Mesmo que a produção industrial permaneça estável em junho, o setor já terá registrado um aumento de 1,0% no segundo trimestre em relação ao primeiro, sugerindo que parte do crescimento já está refletida nos dados.
Os serviços, que representam cerca de 60% da composição do IBC-Br, cresceram 0,1% em maio e 0,3% no trimestre. Embora o ritmo seja inferior ao da indústria, os serviços são essenciais para o resultado geral, devido ao seu impacto econômico. O carregamento estatístico de 0,2% indica que a atividade inicia junho com um ganho já acumulado para o trimestre.
Por outro lado, a agropecuária teve um declínio de 1,0% em maio e praticamente parou sua contribuição no trimestre, com um aumento levemente positivo de apenas 0,1%. O carregamento estatístico para junho é de -0,2%, prevendo que, se o setor se mantiver estável, poderá exercer uma influência negativa sobre os resultados do segundo trimestre, contrastando com o que foi observado em 2025.
No geral, a leitura setorial sugere que a economia continua a crescer, mas com uma nova composição em relação aos últimos trimestres. O impulso deixou de vir do agronegócio e passou a depender mais da indústria e, além disso, da capacidade dos serviços de sustentar a demanda interna em um cenário ainda marcado por juros elevados.
Com informações de forbes.com.br.







