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Crescimento da participação feminina no agronegócio catarinense enfrenta desafios persistentes

Por Portal WF

Santa Catarina destaca-se como o estado brasileiro com a maior porcentagem de mulheres à frente de propriedades rurais. Conforme apontado pelo Censo Agropecuário do IBGE, cerca de 19 mil mulheres gerenciam estabelecimentos no estado, representando 11% do total. Apesar do crescimento contínuo desse número, as agricultoras enfrentam diversos desafios, predominantemente ligados ao preconceito e às dificuldades financeiras.

Em um ambiente predominantemente masculino, as mulheres têm se esforçado para garantir seu espaço nas organizações. Dados da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC) revelam que, em 2005, elas representavam apenas 8% dos associados. Esse percentual subiu para 43% em 2024, totalizando mais de 1 milhão de mulheres entre os 4,8 milhões de cooperados. Contudo, a maior parte delas ainda não ocupa cargos de gestão ou decisão. Para mudar esse cenário, várias instituições em Santa Catarina estão promovendo iniciativas focadas na união e no empoderamento feminino.

Prioridade Mundial

A participação das mulheres no agronegócio transcende as questões regionais e é uma preocupação global. A Assembleia Geral da ONU designou 2026 como o Ano Internacional da Mulher Agricultora, buscando fomentar o debate acerca do papel das mulheres no setor. Coordenada pela Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO), a iniciativa visa ressaltar a importância das mulheres na cadeia agroalimentar, desde a produção até a comercialização. De acordo com a FAO, o envolvimento feminino é vital para a segurança alimentar, a nutrição e a resiliência econômica, apesar de tradicionalmente não serem reconhecidas por esse trabalho.

Durante o ano, a proposta é aumentar a conscientização e implementar ações voltadas à redução das desigualdades de gênero e à melhoria da qualidade de vida das mulheres globalmente.

Ações em Santa Catarina

Uma das iniciativas que tem contribuído significativamente para a promoção da igualdade de gênero no estado é o Programa Mulher Cooperativista, promovido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo em Santa Catarina (Sescoop/SC). Este programa visa capacitar, integrar e incentivar o protagonismo feminino no sistema cooperativista, abrangendo cooperadas, esposas, filhas e colaboradoras, e promovendo educação cooperativista, liderança e empreendedorismo.

A Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) também realiza diversas ações nessa área, como o programa Flor-E-Ser, voltado para capacitar mulheres do campo e da pesca em gestão, empreendedorismo e liderança. Entre 2019 e 2025, mais de 1.300 mulheres participaram desse programa, com o número dobrando nos últimos dois anos. Após a conclusão dos cursos, a Secretaria de Estado da Agricultura oferece apoio financeiro para que as participantes desenvolvam ou ampliem seus projetos, com investimentos que superaram R$ 6 milhões em 2025.

Essas iniciativas têm se mostrado eficazes, evidenciadas pelo crescimento de 28% na contratação de crédito pela linha Pronaf Mulher, voltada ao financiamento de atividades de agricultoras, de 2022 a 2025, segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Isso indica que cada vez mais mulheres estão buscando crédito formal para realizar seus projetos.

Além do acesso ao crédito e capacitações técnicas, a presença feminina está transformando a economia rural catarinense ao fortalecer as agroindústrias familiares. O investimento em qualificação tem permitido que as mulheres acrescentem valor à produção, especialmente em setores como laticínios e processamento artesanal. A capacidade de gestão das agricultoras também se revela essencial para a modernização das finanças rurais e na adoção de novas tecnologias.

Apoio ao Protagonismo Feminino

A ampliação do acesso ao crédito rural tem sido crucial para fortalecer a participação feminina no agronegócio catarinense. No sistema cooperativista, iniciativas focadas nesse público buscam reduzir barreiras históricas e aumentar a autonomia econômica das agricultoras, especialmente na agricultura familiar. O Sicoob se destaca neste contexto, promovendo soluções financeiras adaptadas para as mulheres no campo.

“O Pronaf Mulher é um dos principais instrumentos para facilitar o acesso ao financiamento, potencializando a autonomia e o protagonismo das mulheres na gestão das propriedades rurais", explica Luiza Zitzke Oliveira, supervisora de Crédito Rural do Sicoob. As condições diferenciadas incluem taxas de juros acessíveis e prazos adequados ao ciclo produtivo, possibilitando contratos para atividades produtivas e investimentos em propriedades.

Luiza também ressalta a importância da organização e do planejamento para ampliar o acesso a esses financiamentos. A primeira etapa consiste em buscar uma agência do Sicoob para receber orientações personalizadas sobre as linhas de crédito disponíveis. Após realizar ou atualizar o cadastro e apresentar a documentação, o projeto é analisado para aprovação e formalização do crédito, com os recursos liberados conforme o objetivo apresentado.

Conteúdo extraído de: g1.globo.com

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