O crescimento do crédito direcionado no Brasil continua em alta, mesmo com a Selic em patamares elevados. Dados de maio mostram que esse tipo de crédito subiu 8% em termos reais nos últimos doze meses, enquanto o crédito livre teve um aumento bem mais modesto de apenas 2%. Essa diferença revela um descompasso na influência da política monetária do Banco Central, já que o crédito livre é mais sensível às taxas de juros.
Nos últimos meses, o saldo total de empréstimos cresceu 4,6% em termos reais, uma desaceleração em relação aos 5% do mês anterior, mas ainda assim mostra sinais positivos. No entanto, esse número pode esconder realidades distintas: enquanto o crédito livre, que abrange opções como cartões de crédito e financiamentos, vem desacelerando, o crédito direcionado, que inclui financiamento habitacional e rural, manteve um ritmo de crescimento robusto.
Duas realidades no crédito
O sistema de crédito brasileiro é dividido em duas categorias principais: o crédito livre, que segue as flutuações da Selic, e o crédito direcionado, que possui regras específicas e frequentemente taxas subsidiadas. Nos últimos 12 meses, o incremento do crédito direcionado se sobressaiu, ampliando-se quatro vezes mais que o livre. Em maio, as novas concessões direcionadas aumentaram 6%, enquanto as concessões de crédito livre praticamente estagnaram, apresentando uma leve queda de 0,1%.
Implicações para as decisões econômicas
Essa discrepância apresenta um dilema para o Banco Central. Por um lado, a desaceleração no crédito livre sugere que a política monetária está funcionando conforme o esperado. Entretanto, o crescimento contínuo do crédito direcionado pode ocultar a real intensidade do efeito da Selic na economia. Isso levanta questões importantes sobre a eficácia do controle da inflação, uma vez que a expansão do crédito direcionado pode minimizar os impactos do ajuste nas taxas de juros.
Créditos habitacionais e rurais atendem a objetivos legítimos de políticas públicas e, portanto, sua redução não seria desejável apenas para alinhar os números ao aperto monetário. Contudo, à medida que o crédito direcionado ocupa uma fatia crescente no total, sua capacidade de neutralizar os efeitos das ações do Banco Central também aumenta.
Contexto atual
Essa não é uma situação isolada de maio. A tendência é que o crédito direcionado continue a ganhar espaço no sistema financeiro, impulsionado em parte pelo crescimento das linhas de crédito rural nos últimos anos. Enquanto isso, o crédito livre segue a lógica da política monetária, desacelerando conforme os juros aumentam, o que pode levar a um custo social significativo, já que é nesse segmento que se encontram os empréstimos mais onerosos para as famílias.
Com informações de forbes.com.br.







