O israelense Uri Levine tem uma aversão a congestionamentos. Essa frustração o levou a criar o Waze, aplicativo adquirido pelo Google por US$ 1,1 bilhão em 2013. Posteriormente, ele também desenvolveu o Moovit, uma plataforma de mobilidade urbana que foi vendida à Intel em 2020 por US$ 1 bilhão. Levine desenvolveu uma teoria que se popularizou entre empreendedores: as startups não falham pela falta de ideias, mas sim por estarem excessivamente apegadas à solução e desatentas ao problema real.
Esse pensamento foi condensado no best-seller Fall in Love with the Problem, Not the Solution (“Apaixone-se pelo problema, não pela solução”), descrito pelo cofundador da Apple, Steve Wozniak, como “a bíblia dos empreendedores”. Com sua nova empreitada, a Uri Levine Startup Academy, Levine decidiu lançar a plataforma de ensino no Brasil, com a meta de capacitar 100 mil empreendedores em cerca de um mês. Essa escolha é fundamentada, já que o Brasil, quando o Waze chegou em 2011, não tinha unicórnios, enquanto hoje já são mais de 50 na América Latina, incluindo grandes nomes como Nubank e Ifood.
Em uma recente entrevista, Levine compartilhou suas visões sobre o universo das startups, enfatizando que o verdadeiro critério de sucesso não é o crescimento, mas a retenção de clientes. Ele também sugeriu que os fundadores devem se preparar para falhar e rapidamente. Segundo ele, a inteligência artificial não elimina a vantagem competitiva, mas move essa vantagem para o uso eficaz de dados e conhecimento do cliente. “Se você não estiver usando IA para aumentar sua produtividade, vai perder para quem está”, alerta Levine.
Levine aponta que as próximas saídas de unicórnios no Brasil não virão somente do setor financeiro, já saturado de fintechs, mas também de áreas como agricultura, educação e saúde, que ainda estão carentes de inovações tecnológicas. Ele acredita que o país pode ver muito mais crescimento ao focar em previdência e planejamento de aposentadoria.
Sobre a forte visão empreendedora do Brasil, Levine comenta que a falta de educação de longo prazo e a experiência prática parecem ser os principais obstáculos para replicar sucessos como o Waze. Embora a corrupção seja frequentemente citada como um entrave ao empreendedorismo, ele defende que essa não deve ser uma justificativa para inação. “Se você é empreendedor e diz ‘não vou abrir uma empresa aqui por causa da corrupção’, essa não é a atitude correta”, conclui.
Com informações de forbes.com.br.









