
De acordo com informações levantadas pelo www.cnnbrasil.com.br, neste domingo (19), os búlgaros foram às urnas para a oitava vez em cinco anos, tendo Rumen Radev, o ex-presidente com uma postura favorável à Rússia, como principal candidato. Radev se comprometeu a combater a corrupção e pôr um fim à instabilidade política caracterizada por governos frágeis e passageiro.
Ex-piloto de caça e crítico do apoio militar à Ucrânia, Radev afastou-se da presidência em janeiro para participar do pleito, que acontece em um contexto marcado por protestos significativos que resultaram na queda do governo anterior em dezembro.
Sua campanha, que se destacou nas redes sociais com um apelo à estabilidade e financiamento sólido, ganhou força em um país com cerca de 6,5 milhões de habitantes, onde a população está saturada de eleições recorrentes e de figuras políticas veteranas, amplamente consideradas corruptas. “Precisamos, finalmente, de um caminho para uma Bulgária democrática, moderna e europeia”, enfatizou Radev ao votar em Sófia. Ele acrescentou que deseja “cultivar relações práticas com a Rússia, alicerçadas no respeito mútuo e na igualdade”.
O fechamento das urnas ocorreu às 20h (13h em Brasília), e a expectativa era de que as primeiras projeções eleitorais fossem divulgadas imediatamente após o término da votação, com resultados preliminares podendo ser publicados na mesma noite ou no dia seguinte.
### Desafios do Vencedor
Desde a queda do regime comunista em 1989, a Bulgária experimentou um rápido progresso, tornando-se membro da União Europeia em 2007. Neste período, a expectativa de vida aumentou significativamente, o desemprego atingiu níveis históricos de baixa e a economia obteve salvaguardas consideráveis desde a introdução da moeda euro em janeiro.
Entretanto, o país ainda apresenta desvantagens em comparação a outras nações da UE em múltiplos parâmetros, sendo a corrupção uma questão persistente, especialmente nas eleições, onde a compra de votos se tornou uma prática comum.
A crise do custo de vida emergiu como uma preocupação primordial desde que a Bulgária, membro da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), adotou o euro. O governo prévio foi destituído após manifestações contra um novo orçamento que sugeria aumentos de impostos e contribuições sociais.
Essa situação, juntamente com a recente instabilidade política, parece ser tão relevante para os eleitores quanto as promessas de Radev de estreitar laços com Moscou e restaurar o fornecimento de petróleo e gás da Rússia para a Europa. “Os políticos precisam se unir e tomar decisões eficazes, ao invés de se engajar em constantes conflitos e discussões, indo de uma eleição para outra sem resolver nada”, declarou Bogomil Bardarski, um metalúrgico de 72 anos que fez sua escolha em Sófia.
### Radev com Vantagem nas Pesquisas
A participação de Radev no pleito elevou o interesse dos eleitores. Uma pesquisa da Alpha Research, sediada em Sófia, prevê uma taxa de comparecimento de cerca de 60%, quase o dobro dos 34% identificados em junho de 2024.
Os levantamentos recentes indicam que o partido Bulgária Progressista, de Radev, deve conquistar aproximadamente 35% dos votos. Se esses números se confirmarem, será um dos melhores desempenhos de um único partido nos últimos anos, embora ainda insuficiente para alcançar a maioria no parlamento.
Esses dados refletem uma insatisfação com a longa hegemonia do partido GERB, liderado pelo ex-primeiro-ministro Boyko Borissov, que figura em segundo lugar com cerca de 18%. O Movimento pelos Direitos e Liberdades, cujo líder, Delyan Peevski, enfrenta sanções dos EUA e do Reino Unido por corrupção, também está nas disputas.
Uma coligação potencial para a formação do governo, chamada Continuamos a Mudança- Bulgária Democrática (PP-DB), também reconhece a necessidade de reformas. Porém, a posição pró-europeia desse grupo pode limitar a abordagem russa desejada por Radev.
No domingo, Borissov expressou seu apoio à Ucrânia e destacou os progressos que seu partido fez em direção à integração europeia. “O GERB levou o país ao euro, onde a âncora é bastante sólida neste momento. Espero que essa situação se mantenha e que não sejamos arrastados para o leste”, comentou após a votação.



