A partir de quarta-feira (22), uma nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre determinados produtos brasileiros começará a valer. No entanto, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não anunciou qualquer retaliação a essa medida.
Após a confirmação da tarifa, o Palácio do Planalto se posicionou, classificando a decisão americana como um “marco lastimável” e iniciando os procedimentos para acionar a Lei da Reciprocidade Econômica. Essa lei, sancionada por Lula em 2025, permite que o Brasil adote ações em resposta a barreiras comerciais, políticas ou legais de outros países contra suas exportações.
Até o momento, nenhuma ação concreta foi divulgada. Em uma coletiva, o vice-presidente Geraldo Alckmin apenas assegurou que a lei seria aplicada “no momento adequado”. A estratégia do governo, de acordo com fontes próximas, é focar em ampliar a lista de produtos isentos da tarifa e priorizar negociações sem radicalismos.
A nova tarifa deixa de fora produtos como petróleo, café e carne bovina, enquanto setores como etanol, máquinas agrícolas e papel serão afetados. Assessores do presidente avaliam que uma retaliação imediata poderia dar munição a adversários políticos e que setores impactados preferem buscar soluções diplomáticas.
Especialistas acreditam que a resposta do governo brasileiro pode demorar. A estratégia deve envolver um tom político firme, mas com diálogo técnico, evitando ações precipitados que possam ter consequências negativas para o Brasil. Por exemplo, a aplicação da Lei da Reciprocidade passa por um processo longo, incluindo análises e consultas públicas.
Um dos maiores riscos de uma retaliação seria o aumento dos preços para consumidores brasileiros, que enfrentariam custos mais altos tanto nas importações quanto nas exportações. Essa pressão poderia impactar adversamente a economia interna.
Além disso, o Brasil tem opções de resposta que não se limitam a tarifas, como a suspensão de regras sobre patentes, restrições sobre serviços fornecidos por empresas americanas e a revisão de acordos comerciais existentes.
Ao mesmo tempo, há o temor de que ações retaliatórias possam intensificar a tensão com os EUA, resultando em novas tarifas. Nesse sentido, especialistas afirmam que o Brasil deve ser cauteloso em suas respostas, especialmente em um cenário de proximidade eleitoral no Brasil e nos EUA.
A pesquisa aponta que uma boa parte da população atribui a responsabilidade da tarifa a Flávio Bolsonaro, criando um cenário complicado para o governo Lula durante as eleições. Na avaliação de analistas, as negociações devem ocorrer de forma gradual, com expectativa de que acordos sejam discutidos mais ativamente após o período eleitoral.
Enquanto isso, o governo brasileiro busca estratégias para diversificar seus mercados e apoiar setores prejudicados pela nova tarifa, investindo em programas para mitigar os impactos econômicos e abrir novos canais de vendas.
Com informações de g1.globo.com.









