O Banco Central Europeu decidiu manter as taxas de juros na última quinta-feira (23), conforme esperado, mas deixou em aberto a possibilidade de um aumento em setembro. Um novo aumento nos preços da energia pode fazer com que a inflação continue acima da meta de 2%.
Após um aumento em junho, o BCE sinalizou que outras elevações poderiam ocorrer, mas a recente estabilidade de dados sobre preços, salários e a economia diminuiu a urgência de novas medidas. Contudo, a escalada do preço do petróleo, que se aproxima de US$ 100 por barril devido a tensões no Oriente Médio, intensifica a pressão sobre a instituição.
Embora os preços do gás natural tenham permanecido mais baixos, eles também atingiram seu nível mais alto em três anos, aumentando a pressão sobre os custos em geral. Christine Lagarde, presidente do BCE, destacou em coletiva que o aumento dos insumos pode levar as empresas a elevar os preços de venda.
Ela ainda observou que, apesar da inflação subjacente ter permanecido controlada, os efeitos do choque energético ainda estão por vir. Quanto mais tempo a energia ficar cara, maior será a chance de se espalharem os impactos na inflação pela economia.
Durante discussões internas, alguns membros do BCE levantaram a possibilidade de um aumento de juros, mas a decisão final foi unânime em manter as taxas inalteradas. Na próxima semana, o Federal Reserve e o Banco da Inglaterra também devem anunciar suas decisões sobre juros, ambos avaliando a melhor hora para considerar novos aumentos.
Os investidores estão apostando em três possíveis aumentos das taxas pelo BCE, com o primeiro já praticamente confirmado até outubro. Contudo, essa expectativa está mais relacionada ao preço da energia do que a fundamentos econômicos mais amplos. A maioria dos economistas acredita que a zona do euro não precisará de um endurecimento monetário tão grande para controlar a inflação, que deve ficar em torno de 3% nos próximos meses.
Um dos motivos para a paciência do BCE é que os efeitos colaterais do aumento de preços da energia ainda não se manifestaram plenamente. O encarecimento da energia tende a aumentar os preços de bens e serviços, levando a demandas por salários maiores, o que pode resultar em uma espiral de inflação. No entanto, o crescimento salarial está desacelerando, especialmente na Alemanha, maior economia da região, e as empresas preveem pressões salariais mais contidas.
Com informações de forbes.com.br.








