O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, destacou nesta sexta-feira (24) a resiliência da economia brasileira diante de choques geopolíticos que afetam os preços globais. A afirmação foi feita durante o painel “Política Monetária no Brasil”, no evento Expert XP, realizado no São Paulo Expo, em conversa com Caio Megale, economista-chefe da XP.
Com o petróleo novamente ultrapassando a marca dos US$ 100, os impactos na oferta retornam ao centro das discussões. Galípolo alertou sobre os riscos de segunda ordem, quando o aumento dos preços de um item afeta outros produtos na economia. O Banco Central monitora atentamente as influências sobre a oferta e a demanda de combustíveis, além dos indicadores econômicos e das expectativas do mercado, com destaque para o mercado de trabalho como um termômetro dessa análise.
A taxa de desocupação alcançou 5,6% no trimestre encerrado em maio, o menor nível histórico para esse período desde o início da série da PNAD Contínua em 2012, abaixo dos 6,2% registrados um ano antes. A população ocupada atingiu 102,7 milhões de pessoas, um aumento de 840 mil em 12 meses, enquanto o número de desocupados caiu 9,3%, totalizando 6,1 milhões.
Durante o mesmo bate-papo, Galípolo abordou uma questão frequente: quem o Banco Central considera na definição da taxa de juros? Para desmistificar essa dúvida, ele apresentou as ferramentas de pesquisa utilizadas pela instituição, ressaltando que não se baseia apenas nas opiniões do mercado financeiro. O BC também coleta informações de setores como comércio, serviços, indústria de transformação e agronegócio, que enriquecem as decisões de política monetária.
As duas sondagens do BC
O Banco Central realiza duas pesquisas crucial para a formação de expectativas. A primeira e mais conhecida é o Boletim Focus, um levantamento semanal sobre as projeções de inflation, juros, câmbio e PIB, feito com a participação de bancos, corretoras e gestoras. A segunda, Firmus, é uma pesquisa trimestral que ouve empresas fora do setor financeiro sobre seus próprios negócios e variáveis macroeconômicas.
Para Galípolo, a Firmus é importante pois aproxima o BC do setor produtivo e revela a percepção de quem realmente está na economia real. Atualmente, ambas as sondagens indicam uma expectativa de inflação acima da meta. O Boletim Focus, publicado em 20 de julho, apresenta uma mediana de 5,15% para o IPCA de 2026. Já a Firmus, divulgada em 26 de junho, mostrou um aumento na mediana de 4% para 5% entre 349 empresas consultadas entre 11 e 29 de maio. Ambos os números superam o teto do regime de meta contínua, estabelecido em 4,5%, enquanto a meta central é de 3%, com uma tolerância de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo.
Com informações de forbes.com.br.







