A banda Névula, que obteve cachês milionários da Prefeitura de São Paulo em 2025, desmentiu que o secretário-adjunto da Fazenda municipal, Fabiano Martins de Oliveira, seja um integrante fixo. Fabiano, que usa o nome artístico de “Tenente”, assumiu seu atual cargo no mês passado, enquanto o secretário Luis Felipe Vidal Arellano estava de férias.
Em nota divulgada nas redes sociais, a banda esclareceu ser uma “banda autoral e independente”, sem vínculo exclusivo com produtores, e que “Tenente” não faz parte da formação desde 2024. A Névula ainda afirmou que todas as contratações com a Prefeitura de São Paulo foram realizadas de maneira regular, e os cachês seguiram os valores contratados, de acordo com os criterios técnicos e administrativos.
Procurada, a Secretaria da Fazenda também confirmou que Fabiano não integra a banda, ressaltando que sua participação ocorreu a convite, de forma voluntária e sem remuneração. Essa informação contrasta com a documentação de contratações, onde o nome “Tenente” é mencionado como integrante, junto a outros membros como Edu Rasga, BuXta e Fernando Marreta.
A Névula, que conta com aproximadamente 4,5 mil ouvintes mensais em plataformas de streaming, lançou um EP e 10 singles em 2025. Recentemente, seus perfis em redes sociais foram desativados após questionamentos acerca de sua relação com o secretário. Apesar disso, publicações anteriores do Instagram e do Facebook mostraram o secretário como um dos membros da banda.
Para comprovar a cobrança de um cachê de R$ 30 mil, a banda apresentou notas fiscais de shows para uma consultoria e pessoas físicas. O cenário se complica com a revelação de que o grupo foi contratado pela Prefeitura de São Paulo 10 vezes entre julho e outubro de 2025, o que levantou suspeitas sobre vínculos com o organizador de eventos Fabrício Raveli.
A Secretaria da Fazenda reiterou que não tem relação com processos de contratação da Secretaria Municipal de Cultura. Outras bandas ligadas a Raveli também tiveram contratações frequentes pela Prefeitura, totalizando mais de R$ 2,3 milhões e levantando questionamentos sobre a legalidade dos processos.
Após uma denúncia, o Tribunal de Contas do Município iniciou uma investigação sobre esses contratos, onde foi identificado que as justificativas apresentadas para a contratação dessas bandas não eram adequadas e não haviam evidências de realização efetiva dos shows.
O processo ainda aguarda avaliação do relator para ser levado a plenário, enquanto o organizador de eventos não se pronunciou e retirou suas redes sociais.
Com informações de metropoles.com.






