Na última terça-feira (7), o Banco do Brasil anunciou a formalização de um novo contrato de R$ 2,3 bilhões com os Correios para a realização de serviços postais, tanto no Brasil quanto no exterior. Com validade de 60 meses, o acordo entrou em vigor no dia 2 de julho e substitui um contrato anterior de R$ 2,17 bilhões, com um aumento de aproximadamente 6%, justificado pelo banco como um reflexo da correção inflacionária, mantendo o escopo dos serviços inalterado.
Um ponto importante nessa renovação é que o Banco do Brasil não realizou concorrência, optando por não abrir um processo de cotação com outros fornecedores. O motivo apresentado refere-se à “inviabilidade de competição”, uma vez que 97,84% dos custos com postagens são relacionados a serviços que, por lei, são exclusivos dos Correios. Assim, não havia outros fornecedores disponíveis para a consulta.
Para a porção remanescente, fora do monopólio, o banco afirma ter realizado uma pesquisa de preços, constatando que as tarifas dos Correios eram compatíveis com as oferecidas por empresas privadas. Entretanto, a justificativa principal do Banco do Brasil para a escolha dos Correios não se baseia apenas no preço, mas também na falta de alternativas viáveis: a estatal possui a estrutura necessária para atender agências e clientes em áreas mais afastadas do país, tornando-se a opção preferencial para evitar prejuízos na operação.
O momento do anúncio é significativo, dada a grave crise financeira que os Correios enfrentam. A empresa registrou um prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025 e começou 2026 com um resultado negativo de R$ 3,158 bilhões no primeiro trimestre, aumentando 83% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os Correios atribuem essa situação à queda na receita de correspondências tradicionais e à forte concorrência no setor de encomendas, predominantemente ocupado por empresas privadas.
Em resposta a essa crise, o governo tem buscado apoio financeiro para a estatal. No final de 2025, um consórcio de bancos, incluindo o Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander, disponibilizou R$ 12 bilhões aos Correios, com garantias do Tesouro Nacional. Agora, está em negociação uma nova rodada de crédito, que pode chegar a R$ 7 bilhões. O novo contrato com os Correios, embora não seja um empréstimo direto, traz uma receita estável para a empresa nesse momento desafiador.
Vale destacar que a prática de contratação de serviços de estatais por bancos públicos é comum no Brasil, e o modelo de monopólio postal dificulta a concorrência em serviços que são legalmente reservados. O Banco do Brasil não é o único a manter contratos desse tipo; outras entidades federais também seguem esse caminho. As circunstâncias ressaltam como as empresas estatais deficitárias conseguem apoio, mesmo que indiretamente, em um cenário onde a oferta de crédito direto começa a enfrentar questionamentos.
Com informações de forbes.com.br.








