
De acordo com informações levantadas pelo g1.globo.com, o vice-presidente Geraldo Alckmin manifestou nesta quarta-feira (13) sua confiança na resolução do veto da União Europeia (UE) à importação de carne brasileira, destacando a qualidade dos padrões sanitários do Brasil. O veto, anunciado no dia anterior, relaciona-se às exigências da UE sobre o uso de antimicrobianos na pecuária.
Alckmin fez suas declarações durante o 4º Congresso da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), realizado em Brasília. Ele mencionou que o Brasil já superou desafios anteriores, como o “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos, e que atualmente se concentra nas reuniões que ocorrerão nos próximos 30 dias entre representantes dos dois países.
Além disso, o vice-presidente sublinhou a importância dos acordos do Mercosul com países como Singapura, Suíça, Noruega e Islândia, assim como com a própria União Europeia. Ele descreveu o acordo Mercosul-UE como o maior já firmado entre blocos econômicos globais, abrangendo um mercado avaliado em US$ 22 trilhões. Alckmin reconheceu que havia resistência na UE, especialmente no que diz respeito à agricultura, mas assegurou que o pacto está estruturado de maneira que favorece ambas as partes.
O vice-presidente também destacou que, desde a entrada do acordo em vigor provisório em 1º de maio, ele acredita que as questões enfrentadas serão resolvidas. Segundo Alckmin, o Brasil serve como exemplo global em termos de cuidado sanitário, tanto para proteínas de origem animal quanto vegetal.
A proibição imposta pela UE, que afeta principalmente a carne bovina brasileira, representa uma nova fonte de tensão entre o bloco europeu e o setor agropecuário do Brasil. As autoridades europeias alegaram que o país não conseguiu garantir um controle adequado sobre as substâncias utilizadas na criação de animais, resultando na exclusão do Brasil da lista de países que atendem às normas sanitárias da UE. Essa lista será atualizada a partir de 3 de setembro.
Outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, continuam autorizados a exportar, uma vez que conseguiram atender aos requisitos da União Europeia. É importante destacar que antimicrobianos, que são empregados para tratar e prevenir infecções em animais, também podem servir como promotores de crescimento, sendo um dos pontos de preocupação da UE.
Em resposta ao veto, o governo brasileiro expressou surpresa ao receber a decisão e planeja utilizar a diplomacia para tentar revertê-la antes da nova data de restrição. O governo ressalta que o Brasil já possui regulamentações públicas que proíbem o uso das substâncias questionadas. Além da carne bovina, a proibição afeta diversos produtos, incluindo carne de frango, ovos, mel e pescado, mas a carne bovina é a principal preocupação devido ao seu alto valor agregado nas exportações brasileiras.



