
De acordo com informações levantadas pelo g1.globo.com, uma nova fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), culminou na prisão de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A investigação revela que alguns membros da própria corporação, incluindo uma delegada e policiais, tanto da ativa quanto aposentados, estariam envolvidos em práticas de intimidação, vazamento de informações sigilosas e monitoramento de rivais de Vorcaro.
Os suspeitos integravam um grupo denominado “A Turma”, que se dedicava a ameaças e coerções, além de realizar levantamentos clandestinos e acessar sistemas governamentais de forma inadequada, sempre em benefício dos interesses do banqueiro, atualmente detido. Esta informação surgiu em uma decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a continuidade da operação.
Henrique Vorcaro, assim como outros seis indivíduos, foi alvo de mandados de prisão, e 17 pessoas foram apontadas como alvos de busca e apreensão durante a operação realizada no dia 14 de outubro. Segundo a PF, Marilson Roseno da Silva, líder do grupo, era utilizado pelo pai de Vorcaro para pressionar e obter vantagens ilícitas, além de ser o responsável pela movimentação financeira das atividades ilegais.
Em resposta, a defesa de Henrique declarou que as alegações contidas na decisão carecem de comprovação legal, sugerindo que a procura pela verdade deve preceder medidas tão severas. Entre os policiais federais em processo de investigação estão Sebastião Monteiro Júnior, um aposentado que enfrenta mandado de prisão, e Anderson Wander da Silva Lima, policial ativo que também é alvo de um mandado.
Além deles, Valéria Vieira Pereira da Silva, delegada afastada por conta da investigação, e seu esposo, Francisco José Pereira da Silva, também aposentado, estão sob suspeita de trocar informações sigilosas com Marilson por meio de consultas na plataforma interna da PF. Outro indiciado, Manoel Mendes Rodrigues, é apresentado como um empresário vinculado ao jogo do bicho no Rio de Janeiro, liderando uma ramificação do grupo.
Durante a operação, a PF indicou que tanto “A Turma” quanto um segundo grupo, chamado “Os Meninos”, que possui foco em atividades cibernéticas, estavam sob a coordenação de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado de “Sicário”. Infelizmente, ele faleceu ao tentar tirar a própria vida enquanto cumpria pena.
A nova fase da Operação Compliance Zero ocorreu em Nova Lima, região metropolitana de Belo Horizonte (MG), onde Henrique Vorcaro foi preso. Ele é acusado de orquestrar serviços e pagamentos aos membros envoltos nas operações ilegais de coação e vazamento de informações.
A lista de mandados de prisão inclui indivíduos fundamentais para a estrutura da operação:
– Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro.
– David Henrique Alves, que supervisava o grupo “Os Meninos”.
– Victor Lima Sedlmaier, também membro do grupo.
– Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos, igualmente parte do grupo hacker.
– Manoel Mendes Rodrigues, vinculado ao jogo do bicho.
– Anderson Wander da Silva Lima e Sebastião Monteiro Júnior, membros de “A Turma”.
A Polícia Federal acrescentou que, em 2024, Marilson pediu apoio a policiais para acessar informações sigilosas ligadas a um inquérito em que Henrique Vorcaro estava envolvido. Para reforçar as suspeitas, os investigadores relataram um diálogo que indicava a intenção de Marilson de buscar informações sobre a intimação de seu colaborador.
A defesa de Henrique Vorcaro alegou que as decisões foram baseadas em fatos não comprovados e reiterou que o ideal seria investigar antes de efetuar prisões, argumentando que se esforçarão para demonstrar sua posição. O g1 não conseguiu contato com os demais investigados até o momento.
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