De acordo com informações levantadas pelo g1.globo.com, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (14) que sua situação migratória nos Estados Unidos o impede de receber recursos de um fundo de investimento vinculado ao banqueiro Daniel Vorcaro. A Polícia Federal investiga a possibilidade de que valores associados a Vorcaro tenham sido utilizados para cobrir despesas de Eduardo nos EUA.
Ele contou em uma rede social que, caso essa transferência de recursos tivesse realmente ocorrido, enfrentaria sanções do governo americano. “Meu status migratório não permitiria isso. No meu processo migatório, expliquei a origem dos meus recursos às autoridades americanas e não enfrentei nenhum problema, porque aqui não existe um regime de exceção”, declarou.
Residente nos Estados Unidos desde fevereiro do ano passado, Eduardo não retornou ao Brasil desde então. Conforme apurações realizadas pela equipe do blog da Andreia Sadi, uma das direções da investigação busca esclarecer se o montante em questão foi realmente destinado à produção de um filme, como afirmado pelos envolvidos nas operações, ou se esse argumento teria sido uma mera justificativa para a movimentação dos fundos.
Os investigadores estão se concentrando em três indagações principais: se o dinheiro foi de fato utilizado no projeto audiovisual, se ocorreu um desvio de finalidade, ou se uma parte dos recursos foi empregada para arcar com os custos da estadia de Eduardo Bolsonaro nos EUA.
Além disso, existem questionamentos sobre o papel do senador Flávio Bolsonaro (PL) nas negociações e na destinação dos recursos, especialmente agora que ele se posiciona como pré-candidato à Presidência da República. Em uma entrevista à GloboNews nesta quinta, Flávio afirmou que os recursos pagos por Vorcaro para o financiamento do filme “Dark Horse”, que narra a trajetória de Jair Bolsonaro, foram alocados em um fundo gerido pelo advogado de Eduardo. O banqueiro teria investido R$ 61 milhões.
Eduardo também se manifestou nas redes sociais, detalhando que apresentou o advogado ao produtor executivo do filme, Mário Frias, elogiando sua competência. “O escritório é responsável apenas pela gestão burocrática, financeira e legal dos valores [do filme Dark Horse]. O Mário estava em busca de investidores, então o apresentei”, declarou.
Na quarta-feira (13), o site “Intercept Brasil” divulgou uma matéria revelando conversas entre Flávio e Daniel Vorcaro. Nelas, Flávio cobra os fundos prometidos para o financiamento do longa-metragem, que está previsto para estrear no Brasil em setembro. Mário Frias e a produtora GOUP Entertainment reiteraram que o filme não recebeu verba oriunda de Vorcaro.
Dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicam que a empresa Entre Investimentos intermediou repasses de dinheiro de Vorcaro para a produção sobre Jair Bolsonaro, tendo recebido R$ 159 milhões de fundos que estão sob investigação pela PF.

