
De acordo com informações levantadas pelo www.cnnbrasil.com.br, o Dia de Preto Velho, celebrado nesta quarta-feira (13), é uma significativa homenagem a uma das entidades mais emblemáticas da Umbanda. Esta data coincide com o 138º aniversário da Lei Áurea, que aboliu a escravidão no Brasil.
A comemoração não se limita apenas ao reconhecimento de uma figura religiosa, mas abrange uma reflexão profunda sobre a ancestralidade e os espíritos de luz dos idosos africanos escravizados, que são vistos como guardiões da sabedoria e da paciência. A Umbanda, uma religião de matriz africana, reitera o valor dessas entidades, colocando-as no centro de suas crenças e práticas.
Resistência e Memória Histórica
A escolha desta data é carregada de simbolismo e não é meramente acidental. O Dia de Preto Velho é associado à história do Brasil, sendo lembrado como um marco da libertação em um país que foi o último no Ocidente a abolir a escravidão, em 1888. Para muitos praticantes da religião africana, este momento é interpretado como uma ressignificação da história, simbolizando um ato de resistência política.
Embora a libertação formal tenha ocorrido há mais de um século, as marcas do racismo estrutural e seus efeitos sociais persistem. Assim, o culto aos Pretos Velhos assume o caráter de um ato que busca preservar a memória da senzala, trazendo à tona a importância de lembrar e honrar os que sofreram injustamente.
O Papel das Entidades na Umbanda
Nas práticas da Umbanda, os Pretos Velhos são conhecidos por sua ligação com Omolu, o patrono da cura. Essas entidades são frequentemente solicitadas para fornecer orientação e apoio espiritual. O exercício dessa religiosidade é permeado por rituais de simplicidade, onde elementos simbólicos como o cachimbo são utilizados para a transmutação de energias, complementados por ramos de arruda e a oferta de café, cada um com seus significados próprios.
Os praticantes da Umbanda evidenciam sua devoção por meio da manutenção de altares e pela execução de rituais que incluem cânticos e defumações, como formas de expressar gratidão e reverência às raízes culturais negras do Brasil. Assim, as atividades rituais vão além do físico, refletindo um compromisso espiritual com os Pretos Velhos, evidenciando uma constante busca por justiça, integridade e uma renovada conexão com os ensinamentos dos ancestrais.
As celebrações do Dia de Preto Velho não apenas ressaltam a importância dessas entidades na cultura brasileira, mas também abrem um espaço para a reflexão sobre a luta por equidade e memória em uma sociedade que ainda carrega os traumas do passado.



