
Confirmado o falecimento de Víctor Hugo Quero Navas: Um grito de dor e busca por justiça na Venezuela
Conforme reportado pelo portal www.cnnbrasil.com.br, passaram-se aproximadamente dez meses após a morte de Víctor Hugo Quero Navas, um prisioneiro político na Venezuela, até que sua mãe, Carmen Teresa Navas, pudesse finalmente aceitar que o filho que procurava incessantemente não estava mais entre os vivos. Essa espera angustiante se estendeu desde sua detenção, em 3 de janeiro de 2025, no Centro Penitenciário Rodeo I, sob a tutela do Estado venezuelano.
No dia 7 de maio deste ano, o Ministério do Poder Popular para o Serviço Penitenciário anunciou oficialmente a morte de Quero, que ocorreu em 24 de julho de 2025, cerca de seis meses após sua prisão, de acordo com informações das autoridades.
A jornada de incerteza e sofrimento que Carmen iniciou na busca por seu filho teve um término trágico quando ela se deparou com a confirmação do óbito. Desde a detenção de Víctor, a mãe vinha constantemente clamando por informações sobre seu paradeiro e saúde. "Por favor, me informem sobre meu filho, onde ele está? Se ainda está vivo… não o vejo desde que foi preso", despedia-se desesperadamente a mãe em 4 de maio, na Praça Altamira, em Caracas, segurando uma foto de Víctor e um cartaz com a inscrição "desaparecido".
A resposta que mais temia chegou apenas três dias depois de seu apelo.
Um ano e quatro meses de incerteza
Desde 2014, a organização de direitos humanos Foro Penal reportou que pelo menos 19 pessoas presas por motivos políticos perderam a vida enquanto estavam encarceradas. Carmen, aos 82 anos, não hesitou em participar de protestos, visitar prisões e entrar em contato com autoridades, mas todas as tentativas foram em vão; ela recebia apenas negativas e o silêncio ensurdecedor. A incerteza sobre o paradeiro de seu filho se tornou um fardo palpável.
A incerteza cercava o nome de Víctor, que trabalhava no comércio e era o suporte financeiro da família. Sua mãe sempre reiterou que a acusação de terrorismo a qual ele foi submetido era infundada. "Eu passei por um verdadeiro viacrucis… Para uma mãe, é extremamente difícil receber negativas sobre informações do filho", desabafou Carmen, que seguia sem notícias.
Três dias após o ontem triste, a confirmação oficial da morte de Víctor veio. Essa informação foi divulgada poucos dias após Carmen denunciar que a amnistia havia sido recusada ao seu filho. A presidente interina, Delcy Rodríguez, anunciou o fim da Lei de Anistia, que havia sido promulgada meses antes, em uma tentativa de promover a paz e a convivência, especialmente após a detenção do ex-presidente Nicolás Maduro.
O caso de Carmen Teresa Navas ilustra a angústia de muitas mães, esposas e famílias de prisioneiros políticos, que passam dias, semanas ou até meses sem informações sobre o estado de seus entes queridos.
Silêncio e investigações em andamento
Segundo informações oficiais, Víctor faleceu em 24 de julho de 2025, em decorrência de um episódio de hemorragia digestiva superior e síndrome febril aguda. As autoridades alegam que Quero não tinha ninguém que solicitasse visitas, o que levantou ainda mais dúvidas sobre o tratamento recebido em prisão de alta segurança.
O Ministério Público da Venezuela anunciou uma investigação penal e comprometeu-se a conduzir os procedimentos necessários para esclarecer os fatos, enquanto a defensoria pública apelou para a erradicação de abusos e destacou a importância de estabelecer responsabilidades.
Organizações de direitos humanos expressaram indignação diante dessa situação. "O que predominou foi o silêncio, a ausência de informações e a violação dos direitos humanos, mas, acima de tudo, há uma violação dos direitos religiosos ao proibir a mãe de enterrar seu filho", comentou Alfredo Romero, presidente do Foro Penal.
Carmen exigiu um teste de DNA para garantir que os restos mortais eram realmente de seu filho. O corpo foi exumado pela polícia científica, e na mesma data, ele foi reintegrado a um cemitério que agora servirá como lugar de memória para sua família.
Até o dia 4 de maio, o Foro Penal registrou mais de 450 prisioneiros políticos no país, enquanto a indignação e as perguntas sobre o paradeiro de outros desaparecidos continuam a crescer, tanto em protestos quanto nas redes sociais.



