De acordo com informações levantadas pelo g1.globo.com, assessores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) consideram que o enfrentamento ao crime organizado deve ser uma das discussões centrais no encontro agendado entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca na próxima quinta-feira (7).
Os relatos indicam que o governo brasileiro está se antecipando a uma proposta em análise na administração americana, que sugere classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. O entendimento no Palácio do Planalto é que essa rotulação poderia abrir espaço para ações mais rigorosas por parte dos Estados Unidos, possivelmente levando a uma pressão intervencionista.
O governo brasileiro busca evidenciar que o combate ao crime organizado é uma prioridade. Assim, eles pretendem investir na cooperação bilateral como estratégia para enfrentar esse desafio. Lula já abordou essa temática em reuniões anteriores com Trump, no ano passado, durante eventos multilaterais na Ásia, onde defendeu a necessidade de aprimorar a colaboração internacional contra a lavagem de dinheiro, particularmente em relação a paraísos fiscais.
Recentemente, essa questão voltou a ganhar destaque na agenda econômica, com o alerta do ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre a circulação de recursos provenientes de facções criminosas brasileiras no sistema financeiro global, inclusive por meio de instituições localizadas nos Estados Unidos. O atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, também destacou a relevância desse tema em uma entrevista à GloboNews, mencionando uma parceria firmada com os EUA voltada para a fiscalização aduaneira, a fim de impedir a entrada de armas e drogas provenientes do território americano.
O encontro com Trump se dá em um contexto em que já surgiam rumores sobre um potencial distanciamento entre os dois, após ambos terem descrito a relação como de “boa química”. Além disso, esse encontro ocorre logo após uma sequência de dificuldades enfrentadas pelo governo, incluindo a rejeição do nome de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) e a derrubada do veto do PL da Dosimetria no Congresso.
Diante dessas circunstâncias, aliados de Lula acreditam que o governo está adotando uma nova postura, focando em “deixar as derrotas para trás” e avançar nas pautas em andamento. Interlocutores do Planalto sugerem que o presidente deve ajustar seu discurso, uma vez que, nos últimos tempos, fez diversas críticas a Trump, abrangendo desde a guerra no Oriente Médio até questões relacionadas à prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem e a desaprovação de Trump em relação ao papa Leão XIV.
Por fim, essa reunião se torna uma oportunidade estratégica para o governo Lula, almejando reforçar sua presença e atuação em assuntos de segurança pública e cooperação internacional.

