
De acordo com informações levantadas pelo g1.globo.com, o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), fez uma previsão do resultado da votação que culminou na rejeição do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Antes de o resultado oficial ser anunciado, Alcolumbre disse: “Acho que ele vai perder por oito” em resposta ao líder do governo no Senado, Jaques Wagner.
A confirmação da voz que vazou durante a transmissão da sessão no plenário da TV Senado partiu da assessoria de Alcolumbre. O comunicado destaca que Alcolumbre ofereceu sua opinião sobre o placar da votação, o que reflete sua experiência nas deliberações dentro do Senado. O resultado final apontou 34 votos a favor de Messias e 42 contra, refletindo exatamente a previsão de Alcolumbre sobre a diferença de oito votos.
Após a rejeição, Davi Alcolumbre demonstrou sua frustração batendo na mesa e lançando o microfone em direção à bancada, além de se abraçar com Wagner. Este, por sua vez, revelou não saber a causa da derrota do governo, evitando fazer comentários sobre possíveis traições entre senadores. “Para mim foi uma surpresa, [imaginava] 45, 44 [votos]. Mas cada um vota com a sua consciência”, afirmou Wagner ao deixar o plenário.
Além disso, Davi Alcolumbre se posicionou como o principal articulador que levou à rejeição de Messias. Desde o momento da indicação de Jorge Messias, ele se esquivou de encontros e trabalhou ativamente para que a escolha do presidente Lula não prosperasse. Em vez disso, Alcolumbre defendia que a indicação fosse para seu antecessor no cargo, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que possui uma longa aliança com Alcolumbre.
Vale ressaltar que esta votação marca um momento histórico; é a primeira vez desde 1894 que uma indicação de um presidente da República ao Supremo Tribunal Federal é rejeitada pelos senadores. Com a negativa, a proposta de nomeação de Messias foi arquivada, e agora cabe ao presidente Lula encaminhar um novo candidato para a vaga que pertenceu a Luis Roberto Barroso no STF. Essa nova indicação também estará sujeita à aprovação do Senado.
Com esses desdobramentos, a expectativa é que o cenário institucional se modifique e um novo candidato seja nomeado para o Supremo, em meio a uma atmosfera carregada de tensões políticas.



