De acordo com informações levantadas pelo g1.globo.com, o Senado da República rejeitou nesta quarta-feira (29) a proposta de indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), após uma audiência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Essa rejeição é particularmente significativa, pois, conforme levantamento da Agência Senado, a última vez que um nome foi vetado pela Casa ocorreu há 132 anos.
Em 1894, durante o governo do marechal Floriano Peixoto, que foi o segundo presidente do Brasil, cinco candidatos à corte foram rejeitados: Barata Ribeiro, Innocêncio Galvão de Queiroz, Ewerton Quadros, Antônio Sève Navarro e Demosthenes da Silveira Lobo. Este cenário reflete a instabilidade institucional que caracterizava o início da República, quando muitos dos indicados careciam de uma formação legal sólida, e muitos deles possuíam perfis mais políticos ou militares, o que gerava resistência entre os senadores.
Panorama do Brasil em 1894
Como era a sociedade brasileira naquele contexto? A aviação estava longe de ser uma realidade. Somente em 1906, Santos Dumont realizaría em Paris o primeiro voo autônomo do 14-Bis, um marco que o Brasil considera como o início da aviação.
Nesse mesmo ano, o futebol ingressava timidamente no país através de Charles Miller, que trouxe bolas e regras da Inglaterra. Contudo, a prática do esporte era limitada a pequenos grupos da elite paulista, e levaria anos até que se tornasse popular e organizasse competições.
Na esfera da comunicação, a população não tinha acesso a rádio ou televisão, sendo os jornais impressos o único meio de comunicação de massa. As primeiras transmissões de rádio no Brasil ocorreriam apenas em 1922, enquanto a televisão só chegaria em 1950. Assim, em 1894, as notícias circulavam lentamente, dependendo da distribuição física dos jornais.
O cinema também estava em seus primórdios, com a primeira exibição pública de filmes ocorrendo em 1895, na França, por meio dos irmãos Lumière. Naquela época, a ideia de assistir a filmes em movimento em uma sala era ainda uma novidade desconhecida pela maioria.
Economicamente, o Brasil era predominantemente rural, com uma base econômica voltada para a exportação de café, principalmente na região Sudeste. A industrialização estava em seus estágios iniciais, e a maioria da população vivia no campo, com serviços urbanas e infraestrutura limitados.
A escravidão havia sido abolida recentemente, com a assinatura da Lei Áurea em 1888 pela Princesa Isabel. O país lidava com os desafios sociais e econômicos que surgiram após a abolição, sem políticas adequadas para a inclusão da população negra libertada.
O sistema eleitoral da época era marcado pela falta de sigilo: os votos eram abertos, facilitando fraudes e pressões. Este ambiente acabou favorecendo práticas como o "voto de cabresto", onde eleitores eram manipulados por líderes locais. O voto secreto só seria implementado no Brasil em 1932.
Por fim, é importante destacar que a expectativa de vida no Brasil, conforme dados históricos do IBGE, girava em torno de 33,7 anos na virada do século XX, refletindo as condições adversas de saúde e qualidade de vida da população da época.

