De acordo com informações levantadas pelo g1.globo.com, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, revelou que o partido foi responsável pelo pedido de desfiliação do vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth, que agora está vinculado ao MDB. Kassab enfatizou que essa mudança não gerou conflitos com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) ou com Ramuth.
A declaração ocorreu durante um almoço do Lide (Grupo de Líderes Empresariais) em São Paulo, nesta segunda-feira (27). Kassab, que estava ao lado do ex-governador João Doria, co-chairman do Lide, fez as observações em meio a um cenário político em transformação.
Ramuth, que era membro do PSD desde 2022, deixou a sigla em março. Sua saída já era esperada por alguns aliados, considerando o desgaste de sua relação com Kassab. Embora publicamente tenha negado qualquer atrito com o presidente do PSD, Ramuth estava se posicionando para ser vice de forma independente da política partidária, fato que Kassab não aceitou. “Ele estava em voo solo e eu o convidei a sair. Informei Tarcísio e ele deixou o partido. Simples assim”, afirmou Kassab.
Informações extraídas de aliados de Ramuth sugerem que Kassab ficou incomodado com a movimentação do vice-governador, pois ele também almejava ocupar o cargo de vice na eventual candidatura de Tarcísio à reeleição em 2026. Kassab comunicou a Ramuth que não havia espaço para ele na sigla.
A articulação para que Ramuth se filiasse ao MDB foi feita por Tarcísio. Durante a coletiva, o ex-prefeito de São Paulo afirmou que o governador deve escolher seu vice e que, independentemente da decisão, o PSD apoiará sua candidatura. Tarcísio já sinalizou a intenção de manter Ramuth como seu vice.
Em relação ao cenário político mais amplo, Kassab evitou entrar em detalhes sobre a formação da chapa de presidência e esclareceu que a discussão sobre um eventual vice na candidatura de Ronaldo Caiado (PSD) ainda não está em pauta. Segundo ele, essa questão será abordada mais adiante, a partir de junho, com um foco em candidatos que realmente possam contribuir para a vitória eleitoral e a governabilidade.
Kassab também comentou sobre a dinâmica política brasileira, sugerindo que outras candidaturas que não estejam vinculadas à disputa entre o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) podem ganhar espaço, uma vez que o povo brasileiro “deseja mudança”.
Quando indagado sobre as recentes críticas de outros políticos ao Supremo Tribunal Federal (STF), Kassab se absteve de comentar casos específicos, optando por uma abordagem genérica. Ele destacou a necessidade de um presidente com “coragem” para implementar “ajustes e aperfeiçoamentos” no sistema Judiciário, embora não tenha especificado quais reformas considera necessárias.
Essa movimentação no cenário político acentua a importância das alianças e posicionamentos dentro dos partidos em preparação para as próximas eleições.

