
De acordo com informações levantadas pelo g1.globo.com, o governo federal considera a inclusão de uma transição no projeto que visa acabar com a escala 6×1, mas descartou a possibilidade de oferecer uma nova desoneração aos empresários como forma de compensação. Essa declaração foi feita na última quarta-feira (15) pelo ministro das Relações Institucionais, José Guimarães.
Durante uma coletiva de imprensa no Palácio do Planalto, Guimarães revelou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva planeja anunciar a nova jornada de trabalho em maio, mês tradicionalmente dedicado aos trabalhadores. O ministro destacou que "nunca se votou matérias polêmicas sem que ambas as partes cedam", reafirmando a disposição do governo em abrir um diálogo. "Transições são possíveis, mas não vejo espaço para desoneração", afirmou Guimarães, que assumiu seu cargo na última semana.
Entre as alternativas discutidas no Congresso, busca-se maneiras de mitigar a resistência dos empresários à proposta que pretende encurtar a jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas. Na quarta-feira, o governo protocolou um projeto de lei com caráter de urgência após uma conversa entre Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta, do Republicanos-PB. Motta, por sua vez, defende a tramitação de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) sobre o mesmo tema, embora o governo acredite que essa abordagem seria mais morosa.
A proposta para a alteração da escala 6×1 ganhou bastante apoio nas redes sociais, o que impulsionou sua discussão no Congresso. Ademais, Guimarães comentou que o projeto que regulamenta o trabalho através de aplicativos de entrega e transporte só deve ser analisado pelo Congresso após as eleições, uma vez que não houve acordo entre as partes. Essa proposta é uma tentativa do governo de alcançá-los, um segmento importante que tem sido desafiador para Lula.
O ministro também citou que a proposta que estava em trâmite perdeu apoio do governo e que Lula pediu para que fosse retirado de pauta, ressaltando que "não é possível votar sem acordo". "Os trabalhadores não concordam, e as plataformas também estão em desacordo. A oposição está à espera de qualquer deslize para alegar que o governo está prejudicando os trabalhadores", concluiu Guimarães, enfatizando a decisão do governo de postergar essa discussão.
Além disso, durante a entrevista, Guimarães mencionou que o governo está desenvolvendo medidas para combater o endividamento das famílias, o que pode incluir propostas relacionadas às apostas online, conhecidas como "bets". Apesar disso, ele destacou a falta de consenso dentro do governo, uma vez que Lula já expressou a intenção de proibir novamente as "bets" no Brasil.
"Estamos cientes da posição do presidente, mas precisamos considerar a correlação de forças no Congresso", afirmou Guimarães, reconhecendo que a regulamentação das apostas pode ser uma opção viável. Embora a atuação das "bets" já tenha sido regulamentada, o governo está avaliando um texto mais rigoroso, buscando enfrentar os problemas de endividamento que afetam a população. Contudo, a ideia de proibi-las novamente enfrenta dificuldades para ser aprovada.
Fim da escala 6×1: o que causa resistência entre os empresários?
Tânia Rêgo/Agência Brasil



